maio 27, 2009

Pensava que tinha saudades disto, mas não estava a ver o filme todo


Começa oficialmente amanhã a Feira de  Maio e mais um fim-de-semana de largada de toiros aqui na Parvónia. E eu digo oficialmente porque a vila já está transformada num inferno de areia, vento, calor, bêbados e altifalantes a debitar decibéis de fado castiço e paso doble todo o santo dia (e noite), à mistura com o agradável perfume de entremeada e sardinhas a assar em tudo o que é esquina.

Há dez anos que não estou cá na feira e achei que já me apetecia assistir. Mas não. Afinal, do que eu gosto mesmo é da largada, de ver os campinos a galopar a toda a brida pela rua principal, à frente dos toiros e dos cabrestos. Eventualmente de, por uma horinha, olhar o toiro de perto - do lado de dentro das tronqueiras, obviamente, que para o lado de fora ia quando era jovem e inconsciente. O resto do espectáculo já não é para mim.
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You'd better be nice to me, because my Father rules the world.



Assistam, mas a responsabilidade pelo que sentirem a seguir é toda vossa.
A parte II está aqui.

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maio 23, 2009

Brikebrok

Um blog que descobri hoje e com o qual estou encantada. Uma portuguesa que vive em África (não sei bem onde), que partilha as suas experiências e com quem tenho algumas paixões em comum: uma delas são os tecidos e padrões africanos, nos quais ela me parece uma expert:





Vale a pena descobri-la.
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E agora com licença que vou ali num instante comprar o jornal


Ainda por cima é gira que se farta - nada que já não se soubesse, claro :)))

maio 22, 2009

Crónicas do Brasil profundo, mandadas pelo Diogo :D

Conversa entre ele e um taxista aqui do fim do mundo:

- Cê fala meio enrolado...Cê é dondi ?
- De Portugal.
- Sei...Isso é lá no Sul, né não? Perto de São Paulo, né?
- Não, meu amigo, Portugal é na Europa (vontade de rir, ou de chorar...)
- Sei...Tô ligado...quando ocê quisé í lá visitá um parenti, cê mi chama que nóis vai bem rápidinho, tá certo?
- Meu amigo, não dá para ir de carro...
- Ocê qui pensa, o meu carro vai em todo o canto!!
- Mas não dá porque tem um oceano no meio.
- E aí? Não tem ponti não?
- Não.
- Qui negócio é esse? Português não sabe fazê ponti não? Português é f*** memo!! Não faz nem ponti! A genti aqui é bom di ponte, tem ponti em tudo quanto é canto. E ponti boa, não é coisa mixuruca não...Eu que não tive oportunidade de estudá senão eu fazia era ponte....Cê ía ver só!
- Não dá porque são 10.000km de distância..
- Mas se tivesse ponti nóis ía!! Esse carrinho aqui é zeradinho...tem 14 anos mas tá zeradinho. A genti saí bem cedinho e no final do dia já tava azarando por lá...
- Só dá para ir de avião.
- É....avião não tenho não...mas eu vou falar com um primo meu, qué é desenrolado prá c*****.
- Deixe estar, não precisa...
- Esquenti não, oçê vai vê...esse cara é f***, desinrola tudo.
(pega no telefone e liga para o primo, enquanto eu me desmancho a rir)
- É eu. Mi diz uma coisa, tô aqui com um português qui só viaja de avião....dá prá tu arrumá um?
- Avião é...sei...sei...
- Dá ou num dá?
- Eu conheço um cara que tem uma lanchinha filha da p***...
- Tô falando é di avião! Qui lanchina porra nenhuma!
- É... eu entendi... deixa eu dá um giro na área qui já já eu ti ligo.
- Tá bom, rápidinho hein?
(desliga e vira-se para mim)
- Cê vai vê, vai dá certinho esse negócio do avião.
(não digo nada)

Passados 15 segundos:
- Comi uma galinha caipira com farinha no almoço..êta coisa boa...tem farinha de mandioca lá em Portugal.
- Não.
- Qui porra de país é esse? Não tem ponti, não tem farinha de mandioca?
- É assim a vida.
- Meio triste esse país né não...? Cê fais o quê, aqui?
- Estou a construir um barco.
- É melhor memo, não tem ponti...
(não digo nada, só me desmancho)
- Mas o certo era outro negócio: o dinheiro que cê tá gastando no barco cê fazia uma ponte, e aí quem quisesse usá tinha qui pagá. Cê ficava rico rápidinho...
(continuo sem conseguir dizer nada com as gargalhadas internas)
- A f*** é que português não pensa do jeitinho brasileiro. Eu acho que é porque não come farinha...

Nesta altura chegámos ao destino, saí do taxi e continuo a rir às gargalhadas. Ainda bem que saí antes do primo do avião ligar de volta... Só no Brasil!!!
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maio 21, 2009

A conversar

... é que a gente se entende. Gosto disto. É de gente adulta e inteligente.
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maio 20, 2009

...


Está bem melhor assim.

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maio 19, 2009

Globos de Ouro - os trapos, alínea c)



Êize-a, como se diz aqui na Parvónia.
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Globos de Ouro 4 - os trapos

Sabem que eu é mais chinelos e assim. Mas sou mulher, ainda que às vezes me esqueça. E quando se aprende cedo a distinguir sem sequer olhar um chiffon de um dévoré, gosta-se de ver estas coisas. Além de que fui aos anos da minha sobrinha e levei com a televisão chapada nos Globos de Ouro com o mulherio familiar todo a rir à gargalhada com (a maioria das) toilettes e a fazer as inevitáveis comparações com os óscares. Por conseguinte, tomem lá com a minha apreciação:

Joana Seixas (não sei quem é) - bonito e original.

Carolina Patrocínio - um vestido engraçado, mas há qualquer coisa aqui que me irrita (deve ser a Carolina Patrocínio).

Merche Romero - o vestido é lindo, mas escusava-se o penacho e a carteirinha rasca.

À esquerda, Carla ex-Pinto (quem?), segundo a Pipoca - um vestido lindo que não é para ela.

Raquel Faria (que também não sei quem é) - mas tem um vestido de babar: o melhor da noite, de longe. Lindo, lindo, lindo. O que prova a minha teoria de que um vestido preto não tem forçosamente de ser básico.

Cláudia Vieira - gostei de tudo, até da nuvem de tule.


Oceana Basílio (quem?) - fantástico.


Os Bailhamedeus!

Floribella aka Luciana Abreu - coitadita; mas pelo menos condiz com o namorado.

Ronalda - coitadona; fez-me lembrar a Aretha Franklin, mas em mau.


Paula Bobone - foi de Mortitia Adams (tomara ela).

Lili Caneças - acho que é caso para internamento, sinceramente!

Fátima Lopes - escusava de ter vindo de camisa de noite...

Comentem, por amor de Deus!!!
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Parabéns, grandes como tu


6 anos de bem blogar:
(...) Eu é mais bolos e escrita selvagem, sem grandes lacinhos e rendas, sem enfeites, crua de mim para comigo, ou para as minhas leitoras nas coisas de gajedo, ou seja para quem for que eventualmente me inspire no que escrevo. Ao fim de 6 anos, de mau feitio, de experiências colectivas, de artigos em revista, de tentativas de primeiros capítulos ou muito má poesia, sobra o mau feitio e uma certeza: eu sou blogger, ferozmente independente, incapaz de cumprir uma linha editorial, um prazo de entrega, qualquer coisa que me corte as asas. (...)
Parabéns, Cat :-)
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maio 18, 2009

F****** assholes


Há por aí gentinha que não se toca. Pessoinhas que deviam olhar menos para o umbigo e parar de arrotar teorias pseudofilosóficas como se fossem reencarnações de Gandhi. Que disfarçadamente (acham elas) lá vão misturando referências a propriedades provavelmente inexistentes enquanto exaltam as suas próprias virtudes em forma de discurso ao rebanho, à mistura com chavões bombásticos sobre a importância metafísica da coçadela no percurso da humanidade. O mundo é do exacto tamanho do seu quintal, e por isso todas as suas verdades são inquestionáveis. E porque o tal quintal é o único mundo que conhecem, há que descrevê-lo como assombroso, negando todo e qualquer valor aos outros mil mundos que o mundo tem. Gentinha que se arma em melómana mas categoriza Il Divo na música clássica. Que acusa e critica malcriadamente os outros (que na esmagadora maioria das vezes nem tomam conhecimento da sua pequeníssima existência, tamanha é a falta de interesse — e no fundo esse é que é o problema) sem saber do que está a falar. Que não tem a coragem nem a hombridade para dizer claramente de sua justiça — não, isso levaria a confrontos e essa gentinha não tem inteligência ou classe para se mover com conforto num patamar que desconhece. Que lê vaidade e gabarolice onde está escrito saudade. Que gosta de indirectas mas que acerta sempre ao lado porque, além de uma evidente falta de óculos, sofre de uma muito mais evidente falta de cérebro.
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Globos de Ouro 3

Rita Ferro Jr., o vestido mais giro da noite.

A Couve Troncha.



E o Globo Dóirado com Pernas, nas palavras da própria... 
Por mais que eu desse volta à cabeça não inventava melhor 
que isto de certeza.... Mas quem é que escreve estes textos, 
deus do céu?
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Globos de Ouro 2

Eu sabia que me tinha esquecido de alguma coisa - e cá para mim o meu cérebro bloqueou, tal o horror: alguém reparou no ponytail da Lili Canecas? OMG!!!
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Globos de Ouro

Alguém reparou no horroroso vestido doirado da Bárbara Guimarães, que parecia que vinha direitinha ali do Intendente? E que a Betty Grafstein estava vestida de couve troncha? E também já tinham reparado que o Diogo Morgado e o Ricardo Trepa são umas gandas brasas ou, como eu, só deram por isso hoje?

Amanhã ponho fotografias.
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maio 15, 2009

Um dia bem passado


a chafurdar na terra :)
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maio 12, 2009

É bom ter noção


... que, a bem da coisoterapia, estou a sacrificar isto.
(a não ser que o Diogo fique tão, mas tão feliz com o meu novo derrière que me dê um à mesma)
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@%$@&%@&&%$#$%!!!!


Eu sou muito parva. Ela disse-me que cada vez que se fazia doía menos e eu acreditei, claro. Parva. Se é que é possível, doeu mais ainda. Claro que estar no segundo dia no período não ajudou. E ainda me queria fazer depilação a seguir, a sádica! NO F***** WAY!!!, continuo peluda mais uns dias que também não morro por causa disso. Ah, e pôs-me a ouvir samba, mas estava difícil. Aquilo sem canto gregoriano e aquelas músicas de passarinhos a arrulhar e ondas do mar e vento nas montanhas e o caraças é mais suportável.

Mas toda a gente diz para continuar. E o que é um facto é que a minha irmã mais velha, que tem cinquenta e não sei quantos anos e 4 filhos adultos, faz isto há que tempos e tem um rabo que ainda vira a cabeça de muito pedreiro. E eu confesso que já tenho algumas saudades de ouvir bocas porcas na rua :)))

Adiante. E já paguei tudo, que é para não haver arrependimentos.
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maio 11, 2009

Sopas e descanso

... tem sido basicamente a minha vida nos últimos 2 dias. Ainda se a sopa tivesse este aspecto. Mas não, é esta, infelizmente. Logo eu, que não sou nada de sopas (a não ser a da pedra e assim). E amanhã tenho a segunda sessão de tortura, digo, mesoterapia logo pela fresca. Que bom.
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Venham mais 2

(o bolo foi fanado à Leonor, a melhor patissière - e a mais gira - do planeta)

2 anos já cá cantam.
624 postas de pescada.
4 mil seiscentos e tal comentários.
E quase 45.000 cuscos. 
Os parabéns são para mim, mas isto sem vocês era uma seca :)))

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maio 10, 2009

Sabe tão bem.

Tornei-me revivalista à força. Também me tornei nostálgica, patriotico-fanática e sentimentalona, mas isso agora não tem nada a ver, como diria a outra. Ou tem. Por acaso até tem. Digo isto porque nunca fui nada que se parecesse, nem remotamente (a idade a distância fazem coisas estranhas às pessoas...), e achava uma pieguice monumental sê-lo até há bem pouco tempo.

Este fim-de-semana estou sozinha, o Diogo viajou para o Brasil por umas semanas (buáaaaa!). E, por circunstâncias nada agradáveis, diga-se de passagem, a Isabel, minha amiga de infância, terá de passar os próximos fins-de-semana aqui na Parvónia. Vai daí, proporcionou-se ontem uma tarde daquelas. Veio ela e o irmão mais novo, que até há uns anos era invisível (amigo do meu irmão mais novo e portanto puto, não sei sei se estão a ver?...) O puto R. é hoje em dia um advogado de primeiríssima linha, está muito bem casado e com filhos (liiiiindos!), com interesse, com conversa e mais: tem uma memória inesgotável para histórias antigas das nossas duas famílias. 

Eu, que perdi o meu Pai quando tinha 21 anos - e ele esteve doente e muito diminuído por um enfarte (aos 50 e poucos!) nos últimos dez anos de vida - adoro ouvir o R. contar as histórias que ouve do Pai dele (eram grandes amigos), que me dão a conhecer uma faceta profissional do meu Pai de que eu não tinha a mais leve noção.

Por ele (shame on my sisters!), fiquei a saber que o meu Pai introduziu a suinicultura intensiva em Portugal (os pavilhões do meu Pai foram os primeiros do país - e ainda existem), que era uma sumidade e dava ordens ao país inteiro na matéria, e que dava consultoria para toda a Europa - eu, que achava que ele era veterinário e agricultor... - e que só não foi administrador da maior fábrica de rações do país porque teve um enfarte entretanto, e os cabrões dos americanos aproveitaram-se desse facto.

Também soube que a minha Mãe - além de directora de um hospital e delegada de saúde por décadas a fio - quando veio para cá, há mais de cinquenta anos, fez um trabalho importantíssimo de cariz não só médico como social (sem ganhar mais por isso - típico dela...). Este concelho (que é enorme, diga-se de passagem) deve-lhe a erradicação total de algumas doenças epidémicas graves, a informação porta-a-porta (literalmente!, disso lembro-me, acompanhei-a muitas vezes em miúda) sobre cuidados de higiene básica, desinfecção de alimentos e coisas assim. Coisas que hoje em dia toda a gente sabe, mas que naquela altura não era bem assim.

Ainda vou escrever muito sobre o que era a Parvónia há quarenta anos...
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Express yourself

Adorável Scarlett.
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maio 07, 2009

Ainda não emagreci nada

(imagem fanada à Filipinha, minha companheira de jornada)

... apesar de hoje me ter portado lindamente. Não comi quase nada o dia todo. Lá borreguei ao jantar e comi um bocadito microscópico de tarte de galinha, pronto. Uma migalha, juro, com meio kilo de alface iceberg que a minha sogrinha me mandou de presente (na Parvónia não há disto). Amanhã é outro dia, uma pessoa não é de ferro e eu tinha de alimentar a enfardadeira cá de casa, que continua alegremente a enfiar bifes de kilo sem engordar uma grama. O que vale (só neste aspecto, claro) é que vai amanhã para o Brasil, e assim posso despejar o frigorífico e a despensa e enchê-los de alfaces, água e assim.

Ah, continuo firmemente convencida que todas as terapeutas são sádicas - e ainda bem, ou com tanto prazer em torturar o próximo seriam no mínimo serial killers.
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maio 06, 2009

Morte às nãoseiquantasterapeutas!!!


Primeiro fui medida de cima a baixo, com ela de narizinho franzido de num sei não. Depois fui literalmente lixada (de lixa), oleada e levei uma tareia nos costaços que até gani. Depois enfiou-me num forno, digo, manta térmica, e deixou-me ali a fumegar por 20 minutos, ao som de canto gregoriano (aaaaargh!). Depois pegou numa seringa fininha (dizia ela) e aí é que eu vi a minha vidinha a andar para trás. Picou-me e picou-me e picou-me umas mil vezes em tudo o que era pneu. Nesta altura eu já pensava se lhe mandava a panela de cera quente acima ou lhe partia o nariz com um penico de inox (juro que era parecido) que por lá andava. 

Segunda-feira lá estou eu outra vez, mas juro que levo uma faca, um valium 10 no bucho e um CD de chill-out, que não sei o que me doeu mais: se as injecções se o canto gregoriano.
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É agora



Faltam só vinte e cinco minutos para eu dar o grito do ipiranga. Vou começar um tratamento integrado (coisa chique) de dieta, nãoseidasquantasterapia, massagens, nutricionista e o diabo a sete, que promete tirar-me 15 kilos, toda a celulite (ya ya), dez anos de vida (da passada, não da futura, credo) e umas quantas centenas de euros, já se sabe. Garantido, garantido, é tirarem-me estes últimos, o resto logo se vê.

Isto, a juntar ao ginásio e à dieta da sopa que começo amanhã, é capaz de dar algum resultado.

Já sabem, se daqui a uns meses acharem que se estão a cruzar com a Gisele morena, não é ela, sou eu.

A nãoseiquantasterapeuta diz que o optimismo é muito importante no tratamento.

maio 05, 2009

Tenho saudades

  • do passeio que dei sozinha na foz do rio (qual?) que desagua na praia da Amoreira e dos cinco kilos (pelo menos) de pedrinhas pretas em forma de palito que lá apanhei;
  • de acordar com uma galinha à janela no meio de nenhures no monte da D. Adília, perto da Zambujeira;
  • das tiras de raia frita, da cataplana de peixe misto, dos camarões-tigre grelhados, mas principalmente das amêijoas que comi no Sítio do Forno;
  • da Paula, uma querida, empregada do Sítio do Forno, que nos arranjou uma casa às 11 da noite de sábado de um fds grande;
  • da vista do Sítio do Forno;
  • de me debruçar nas rochas da não-praia da Azenha do Mar;
  • de gastar uma fortuna em pulseiras, colares, saias de cigana, calças saruel, etc., nos ciganos de Porto Covo;
  • dos percebes que comi em Aljezur (os melhores de todos);
  • dos montes abandonados por todo o lado que eram a minha cara chapada;
  • ...
Ai...
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maio 04, 2009

Fim de semana papa-léguas


Amado

Azenha do Mar, que não conhecia. Macacos me mordam se não hei-de lá ter uma casa.

Bordeira.

Algures entre o Cabo Sardão e a Zambujeira.

Carrapateira.

Castelejo, Cordoama e Barriga.

Amado. Flores a perder de vista.

Azenha do Mar, a não-praia mais bonita do Alentejo.

Pronto, fica só este cheirinho. Das comezainas e bebezainas falarei noutro post. Aos vossos comentários respondo amanhã, que agora vou dormir.
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