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dezembro 26, 2008

Natal (ainda)

O melhor presente deste Natal: um faqueiro para 12 pessoas, completíssimo, lindo, bom e saído directamente do baú da tia Lourdes para a sobrinha preferida (eh eh eh - imbrulha!) - pró ano vêm as pratas concerteza.

Os presentes que eu gostei mais (desculpem-me os outros): uma touca de banho branca com malhas pretas e dois corninhos amarelos, e um sabonete em forma de urso, os primeiros presentes dados pelos meus 6 sobrinhos grandes (há 9 anos, quando fui para o Brasil, eles eram novinhos demais para dar presentes). Fiquei completamente derretida, claro. Já vos disse que tenho os sobrinhos mai lindos e mai inteligentes do mundo?

O presente que eu gostei mais de dar: uma mesa de matraquilhos ao meu sobrinho/afilhado Palzé (quase 5 anos, muito atinadinho, não sai nada à tia) que, quando lhe disseram que o presente gigante era para ele, ficou absolutamente fascinado a olhar para o tamanho da coisa e disse "Epáaaaa, ganda pesente!" - e passou o jantar inteiro de roda dele, ele e o Titói (2 anos, trunfa encaracolada indomável e completamente chanfrado - aqui já há uma vaga possibilidade de sair à tia) - e, depois de o abrir, berrou "Boooooaaaaa!!! Era isto mesmo, tia!", e quase chorou de tanta excitação (ele e eu...).

Prontos, não se aguenta, mas estou completamente derretida com eles todos. Os caninos, giríssimos, a falar ribatejano cerrado; e os grandes: o João, o mais velho que é um estroina mas a meiguice em pessoa; o Pedro, qualquer dia casa-se e faz-me tia-avó, raios o partam; a Teresa, arquitecta brilhante e racée; a Mariana, a beldade e designer em London; o Mac... António (oops), o eterno sonhador; e o puto Tinim, de 16, que descrevia ao jantar a última bebedeira de vodka preta que apanhou com as babes à frente dos pais - e eles riam-se, os palermas. A tradição já não é o que era.
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dezembro 21, 2008

87 anos

A tia Lourdes, tal como a minha mãe (as duas únicas filhas dos meus avós maternos), teve uma educação bastante diferente da que era dada habitualmente às meninas de família. Ambas seguiram do liceu para a universidade e ambas concluiram, brilhantemente, cursos pouco procurados por mulheres, nessa época: Medicina a minha mãe, Belas Artes a tia Lourdes. Filhas de um advogado exigente e de gostos sofisticados - respirara ainda o crepúsculo do fausto proporcionado pelo cacau de São Tomé e Príncipe, vindo da roça da família - do pai receberam essa liberdade e esse desafio: serem autónomas, terem uma profissão. Da minha mãe falarei noutra altura destes apontamentos, hoje a ribalta é da tia Lourdes.

Desde muito cedo revelou talento para o desenho. Depois da escola António Arroio, estudou pintura e escultura em Lisboa e depois no Porto, onde o curso superior era mais conceituado. Foi contemporânea dos maiores nomes das artes plásticas nacionais, hoje considerados grandes mestres. Aluna aplicada e muito elogiada por professores e colegas, pelo traço forte e cheio de personalidade, acabou o curso com notas altíssimas e esperava-a um futuro sorridente no mundo que escolhera e onde se sentia como peixe na água. Praticou em ateliers famosos e tinha amigos divertidos e boémios, apesar do recato a que o seu estatuto e uma sociedade fechada a obrigavam.

Mas a vida trocou-lhe as voltas, como muitas vezes acontece. Ao escritório da Rua de S. Nicolau, na Baixa, onde o meu avô exercia advocacia, foi parar um estagiário muito especial: um goês, brâmane orgulhoso e de olhar penetrante, de seu nome Prabacar Visvambor Canencar (um nome que originou saborosas e infindáveis versões nas bocas por onde passava, na nossa família). Era um de muitos irmãos, todos rapazes, enviados pelos pais para a Europa e Estados Unidos para estudar, o que em Pangim não teriam conseguido fazer com igual sucesso. Ele foi o único que rumou a Portugal, para estudar direito. E a tia Lourdes apaixonou-se por aquele homem diferente, um novo desafio que lhe mudou a vida por completo. Correram o mundo em comissões de serviço dele, como juíz: por África e Ásia, dois anos em cada sítio onde os portugueses tinham posto o pé e a que chamaram seu, séculos antes.

Perdemo-los de vista por muito tempo, mas um dia voltaram. No porão do navio que os trouxe de Timor, uma enorme quantidade de quadros que a tia Lourdes pintara, bebendo nas mil cores e formas exóticas a inspiração daqueles anos de globetrotter. Faria uma grande exposição, quando chegasse a Lisboa. De lá, preparara as coisas e tudo estava a postos. Ainda tinha bons contactos. Mas o desastre aconteceu: o porão inundou-se e a água salgada arruinou as delicadas telas e aguarelas que ansiavam pelas luzes de uma galeria de arte. E já não houve exposição. E, muito pior do que isso, a tia Lourdes nunca mais quis pintar ou esculpir, fosse o que fosse. Começou a dar aulas de desenho e foi uma professora dedicada, por muito tempo. Hoje tem oitenta e seis anos, e continua uma mulher de armas.
A tia Lourdes fez hoje 87 anos e ainda está para as curvas. É uma porreirona, tem um bom gosto natural que nos deixa a todos de quatro e um bocadinho de mau-feitio (pouco). Ainda guia o seu carro pelas ruas de Sintra (apesar de já nos provocar alguns ameaços de síncope...), ocupa-se com visitas a museus, comissões de conservação do património - ou coisa parecida - e com a sua varanda, que é a mais bonita de Sintra, e passa a vida a laurear a pevide com as amigas, todas muito mais novas que ela.
Pagou-nos hoje uma jantarada, como faz todos os anos. Este ano não lhe apetecia festejar (sente muita falta da minha Mãe), mas aparecemos-lhe todos à porta sem avisar e obrigámo-la a sair. Refilou, mas adorou. Parabéns!
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novembro 24, 2008

E a vida continua

... umas vezes mal, outras bem. No sábado passado vieram cá almoçar os meus cunhados de Oeiras e uns amigos, almoço combinado à última da hora porque houve abespinhanço (eh eh eh) da parte da cunhada mais velha por ainda não ter sido convidada para cá vir.

Mesmo sem a casa pronta e sem mesa de jantar, com mesas e cadeiras de plástico e chapéus-de-sol emprestados, lá se fez uma churrascada na varanda. Ao todo éramos 16, contando com os miúdos. O Diogo comandou a grelha e eu deixei quase tudo pronto de véspera para poder estar à mesa. Comeu-se, bebeu-se (muuuuuuuuito, como sempre) e esteve-se muito bem ao sol. O Batatinha alambazou-se com tudo o que foi osso que lhe puseram à frente, tão mimado que nem saía de debaixo da mesa à espera que lhe pusessem os ossos na boca.

As minhas cunhadinhas queridas apanharam-me distraída e lavaram-me a loiça quase toda (ainda não tenho máquina), mas da próxima faço como fazia no Brasil: "convido" a empregada também.

Houve show de variedades por parte do Diogo e do Artur (private joke) e esteve-se tão bem, mas tão bem, que saíram daqui quase à meia-noite. No próximo fim-de-semana há mais, desta vez em Montemor. A ver se as minhas costas aguentam, que no Domingo não me conseguia mexer e o Diogo até febre teve.

outubro 10, 2008

Com um oceano pelo meio

Talvez eu devesse ir embora por mais 9 anos. Seria talvez a maneira de me esquecer (outra vez) das guerras, das mágoas, dos choques, das provocações, das ofensas, das cobranças, dos esqueletos guardados nos armários que só estão à espera de uma desculpa para sair. Porque, durante 9 anos, me esqueci completamente disso. Só me lembrava da falta que eles me faziam, do apoio que me davam quando precisei, das saudades que tinha. Só me lembrava que não deve ser possível ter um Natal mais triste que um numa mesa vazia, em que por mais perus com recheio original e travessas abundantes que houvesse na mesa, os lugares estavam vazios. Só me lembrava de telefonemas transatlânticos que me deixavam de rastos. Só me lembrava de crianças a crescer sem eu estar a ver, de vidas a mudar, de tudo o que era bom. E agora não. Agora não.

setembro 18, 2008

Quem é?

Digam lá se já não era um borracho nesta altura.

setembro 15, 2008

Parabéns


Chama-se Paula e faz hoje 29 anos de casada. Este fim-de-semana largou os quatro filhos (são quase todos adultos, podem ser largados à vontade), pegou no Alex, o maridão, e num carregamento de vitaminas e foi de lua-de-mel para a Costa Alentejana. É a minha irmã mais velha.

setembro 14, 2008

Love is the air



Ontem foi o casamento da minha cunhada mais nova, Joana com o Artur. A missa foi à tarde, na igreja de Sto. Amaro de Oeiras e os comes na Quinta da Murta, em Bucelas, num sítio lindo com vista para os vinhedos da quinta. Estava tudo óptimo, e outra coisa não seria de esperar, desde o jantar - com realce para a mesa das sobremesas, de babar - a acabar nos vinhos, produção da quinta.

Mas o destaque mesmo foi para os noivos. São os dois meio doidos e divertidíssimos. A Joana (alta, magra e loira, linda de morrer), ia de vestido comprido e ténis de saltos altos (não são os da fotografia, não achei iguais). No jantar, entraram os dois aos pulos pela sala fora de kangoo jumps, ele de fraque e ela de vestido arregaçado, direitos à pista a dançar ao som dos Abba! De morrer a rir. Depois, já se sabe, foi dançar até às quinhentas.

abril 16, 2008

A M'Ana


... mudou-se para aqui, e parece (a avaliar pela decoração), que fez muito bem. Quem vai atrás?

PS - Fotografia fanadíssima à Sofia (e ai dela que refile!)

março 07, 2008

Ingratidão

A Família, Tarcila do Amaral

É, quanto a mim, dos sentimentos mais feios que se pode ter. Vi isso ontem, a propósito de alguém que, fazendo parte da família recentemente, não só não aprendeu as regras que nos regem, como faz tenção de impôr as suas e de nos pregar lições de moral. De alguém que não tem a mesma educação e os mesmos valores e que não percebe que o nosso núcleo duro é inquebrável, por mais brigas, insultos e/ou discussões que aconteçam: foi assim que fomos ensinados. Partir do princípio que as intenções de alguém do nosso sangue podem ser questionáveis - quanto se tem provas esmagadoras do contrário -, é também algo que eu, apesar de 8 anos de Brasil que me diminuíram a crença cega na bondade da natureza humana, não aceito.

fevereiro 29, 2008

Help!

Já tenho três, uma grande para o Xuruca e duas pequenas para a Maria e o Gato, mas vou precisar de mais outra caixa grande para trazer o Batata (o rottweiler) para cá. Como já tenho uma grande, não me apetece comprar outra, porque não tenciono usá-la. Conhecem alguém que me empreste ou me alugue uma por uns meses?
Obrigada!

janeiro 25, 2008

Associações de ideias que eu vou fazer pelo resto da vida

O Eusébio faz hoje 66 anos. É importante (para ele) porque teve um ataque cardíaco (ou coisa que o valha) o ano passado. E isto só me lembra que, quando teve o tal ataque cardíaco, ele estava no quarto ao lado da minha Mãe, no Hospital da Luz, acabadinho de abrir, se bem se lembram.
Todos os dias, quando eu chegava a 200 à hora por ali adentro, havia sempre um negão enorme, com cara de secreta, que me barrava a passagem e me perguntava (todos os dias...) Quem é você?, ao que eu respondia (óbvio!) E o que é que o senhor tem com isso? (sempre muito educadinha...). E lá me deixavam passar, sim!, que eu ameaçava sempre fazer queixa à direcção do hospital. Todos os dias!!!

Andámos nisto, eu e a minha família inteira - já para não falar da finta aos jornalistas (foi na mesmíssima altura que o ... Vieira, presidente do Benfica, lá esteve também internado), que nos tentavam entrevistar de 5 em 5 minutos, até perceberem que nós não tínhamos nada a ver... - aí umas 2 semanas bem puxadas. Aliás (se não fosse a situação que era, até teria piada), porque houve uns dias em que estava o Eusébio, o não-sei-quantos Vieira, a minha Mãe, e duas (duas!) Tias minhas, tudo ao mesmo tempo num hospital acabado de abrir e deserto.

E tudo isto a propósito de o Eusébio ter feito 66 anos!

janeiro 19, 2008

Gosto de frio...

... porque me posso dar ao luxo de provar a colecção de chás da minha tia: o Darjeeling e o Ceylon Blend da Harrods, o English Breakfast Blend ou o Earl Grey da Ahmad, o Lapsang Souchong da Taylors of Harrogate, o Organic Peppermint da Fortnum & Mason, o Turkish Apple Tea da Ali Baba, o Thé des Écrivains ou o des Concubines do Palais des Thés, o Té Nero 'Lemon Honey' dallo Sri Lanka, o Connoisseur Special Blend da Grace Rare Tea Company, para além dos Tropic, Mint, Turkish Black, Orange, Hibiscus, Jasmine (o meu preferido) e Apple Teas, acabadinhos de chegar da Turquia. Mas, na opinião dela, sou uma selvagem: gosto de o beber numa caneca (para lhe poder pôr as mãos à volta) e, sacrilégio dos sacrilégios, com quilos de açúcar!

janeiro 15, 2008

A nova geração

Uma nova secção, em que vou escrever sobre os meus sobrinhotes queridos. Tenho oito. Oito! Arre! Alguns dão água pela barba, outros nem por isso. Todos têm um piadão, cada um à sua maneira.

De novo... Mais uma vez a desilusão e frustração inundam-me. Não tenho força para lutar, ou simplesmente recuso-a, febrilmente. De novo agrilhoado na prisão de mim... Uma voz sufocada tenta, aterrorizada, libertar-se, mas é impotente face à aguda e agoniante redoma de frio metal que a sustém à força. Não me reconheço, não me sinto eu. Sou tudo o que não suporto ser, sou uma sombra, um espectro, não sou!! Amargo momento, sentimento crú, dolorosa infecção que, como furiosas brasas penetrantes, queima o âmago, a pele interior, a essência de Ser; Vou caindo vertiginosamente na dormência de mim, abismo que me consome lentamente... pacientemente.


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Escrito em Março de 2005, pelo António. 24 anos, a meio do curso de Antropologia na Nova, os (muitos) neurónios muito mal aproveitados e sem saber ainda para onde vai. Uma tumba, no que toca a falar dele. Mas um docinho de coco. Se eu fosse rica, pagava-lhe um ano sabático num sítio qualquer. Para a frente é que é o caminho, R***.

dezembro 24, 2007

Abriu oficialmente a época das comezainas










Hoje tive o primeiro almoço de Natal, em casa dos meus sogros. Para entrada houve uns camarões enormes, seguidos de um bacalhau assado em azeite com batatinhas a murro. Uma delícia, como tudo que a tia Rosário faz. Para sobremesa, um bolo de noz com ovos moles de cair para trás, e mais mil coisas que já não couberam. Tudo bem regado a bom(s) vinho(s), que o tio Luís não deixa por menos. O almoço quase se juntou a o jantar, onde se comeu um rosbife de perder a cabeça e a segunda rodada de sobremesas, pois claro. E há um costume giríssimo nesta casa: compram-se caixas e caixas de chocolates e bombons durante semanas a fio antes do Natal, junta-se tudo em "arcas do tesouro" e distribuem pelos miúdos e graúdos. Não imaginam o carregamento! Para uma chocólatra como eu, é positivamente orgásmico.

Os sorrisos rasgados e os gritos de êxtase dos miúdos a abrirem os presentes... foi muuuuito bom! Só faltou o Diogo, tadinho, que se babava ao telefone com saudades das comidas da mãe e me chamava nomes por estar cá e ele não.

dezembro 22, 2007

Oh oh oh!

As toalhas de linho da mesa da casa de jantar estão engomadas (mal e porcamente, que eu não me chamo Rosa...), as decorações natalícias estão a 90% (é preciso uma pessoa vir do Brasil...), o serviço está pronto, o faqueiro polido, os copos bons estão lavados, o pátio sem folhas, as luzes da árvore de Natal funcionam, o presépio está o possível, sem musgo, feito com sama de pinheiro... resumindo, está tudo a andar.

maio 11, 2007

O que me vai na alma


As rosas são as flores preferidas da minha Mãe. E é específicamente sobre ela que eu não quero escrever, porque deveria ter um quilómetro de palavras para dizer e porque aquilo que me sai, na minha opinião, não faz, nem remotamente, justiça à pessoa que ela é e será sempre, na memória de todos os que a conhecem. Talvez mais tarde.