Participa-se que S. Exa., com apenas 2,5 meses, já pede para ir à rua para fazer o número 2. E não foi uma vez, faz isto todos os dias. É certo que os cães uns com os outros aprendem mais depressa, mas, aos 2,5 meses, juro que nunca tinha visto!
Mas arranja-se sempre um tempinho para pensar na vida. Nem que seja para fugir dela a sete pés.
abril 14, 2009
março 31, 2009
Lola e os primos
O Xuruca ficou completamente apaixonado assim que a viu, claro. Lambeu-lhe o focinho e pulou à volta dela a chamá-la para brincar. Ela, a fazer-se difícil, rosnou-lhe uma ou duas vezes (começa cedo), mas depois rendeu-se.
A Maria continua a não lhe ligar nenhuma - acha-a insignificante demais para perder tempo com ela. Cheirou-a e tal, mas depois decidiu que provavelmente não ganha nada com o assunto e foi à vida dela (leia-se dormir, que é só o que ela faz além de comer).
Fotografias logo à tarde.
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março 30, 2009
Lola
É morena, tem uns olhos verde-azeitona lindos, pesa aí uns 4 kilos (no máximo) e é muito simpática. Não me parece que tenha aprovado o meu perfume, mas com bebés já se sabe que leva o seu tempo. Tem uns pés enormes, vai ser alta e grande. Tem umas orelhas um bocadinho grandes, mas os olhos enormes e meigos compensam quaisquer dúvidas: vai ser um doce.
Chama-se Lola, tem dois meses e é uma boxer + sabe Deus o quê (e who cares?), foi pescada num canil perto de Sintra e dá vontade de a comer com beijinhos :))))))
Amanhã vai ser apresentada aos primos (agora ainda está muito nervosa, tadinha). O Xuruca está nervosíssimo (ainda não a viu mas já a cheirou na minha roupa, a abanar o rabo furiosamente; a Maria não ligou pêva, como é costume).
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fevereiro 01, 2009
Singing in the rain
A casa é velha. As portas-janelas são de madeira. Claro que já as devia ter calafetado, mas ainda não tive paciência. Ou ter mandado fazer os cortinados, que o raio das janelas são altas demais para comprar dos feitos. Limitei-me a pôr uns rolos (muito manhosos, comprados nos chineses) para tapar algum vento, mas que ficam curtos. Em dias normais, a coisa vai. É questão de fechar as portadas ao fim da tarde e pronto. Mas os fechos estão tão perros que me esqueço de os correr.dezembro 21, 2008
87 anos
A tia Lourdes, tal como a minha mãe (as duas únicas filhas dos meus avós maternos), teve uma educação bastante diferente da que era dada habitualmente às meninas de família. Ambas seguiram do liceu para a universidade e ambas concluiram, brilhantemente, cursos pouco procurados por mulheres, nessa época: Medicina a minha mãe, Belas Artes a tia Lourdes. Filhas de um advogado exigente e de gostos sofisticados - respirara ainda o crepúsculo do fausto proporcionado pelo cacau de São Tomé e Príncipe, vindo da roça da família - do pai receberam essa liberdade e esse desafio: serem autónomas, terem uma profissão. Da minha mãe falarei noutra altura destes apontamentos, hoje a ribalta é da tia Lourdes.Desde muito cedo revelou talento para o desenho. Depois da escola António Arroio, estudou pintura e escultura em Lisboa e depois no Porto, onde o curso superior era mais conceituado. Foi contemporânea dos maiores nomes das artes plásticas nacionais, hoje considerados grandes mestres. Aluna aplicada e muito elogiada por professores e colegas, pelo traço forte e cheio de personalidade, acabou o curso com notas altíssimas e esperava-a um futuro sorridente no mundo que escolhera e onde se sentia como peixe na água. Praticou em ateliers famosos e tinha amigos divertidos e boémios, apesar do recato a que o seu estatuto e uma sociedade fechada a obrigavam.
dezembro 09, 2008
dezembro 08, 2008
Words don't come easily
(...)
A vida é como é e não adianta
fingir que é outra coisa mais amena.
Mas, por detrás da máscara, a gangrena
da dor que não se vê chega a ser tanta
que o mais fácil decerto é ignorar
o outro lado e assim continuar.
Dor
Doem-me os livros que não li
e devia ter lido. São expostas
chagas que nunca hão-de sarar.
Assim também os filmes que não vi
e devia ter visto. São apostas
que perdi e não vou recuperar.
Mas a dor com mais sentido
é a da vida que não vivi
junto de ti
e devia ter vivido.
(Torquato da Luz)
novembro 18, 2008
E agora vai: Isto não era um pet-blog, mas agora é
Teresa, arranja-se mais uma vela?...
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Estive quase
Gente que gosta de animais é gente boa: ponto número 1. Gente que gosta de crianças também: ponto número 2 - é quase** a mesma coisa. Gente que NÃO PERCEBE NEM À LEI DA BALA que uma pessoa esteja triste como o caraças e/ou chore baba e ranho quando perde e/ou pode perder um bicho de estimação, é coisa que não me entra na cabeça - até diria mais, é irracional, no pior sentido da palavra (é como quem não gosta de gatos: é porque nunca teve nenhum): ponto número 3. Para eles, a segunda tágue.
* Não me chateiem, acabei de inventar.
** Há crianças insuportáveis. É um facto, get over it. E digo mais: há muito mais crianças insuportáveis que animais insuportáveis. Mas é que nem tem comparação.
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novembro 17, 2008
O Batata
Depois de uma consulta com o Prof. António Ferreira, da Faculdade de Veterinária (um amor de pessoa!), confirma-se o diagnóstico: ele tem mesmo um tumor no joelho e quanto a isso há pouco a fazer. Mas ainda é cedo para decisões dramáticas, pois, se fôr bem medicado, ele pode ter uns meses largos de boa vida pela frente. Além disso, disse o médico, nunca se sabe o dia de amanhã e milagres acontecem. Uma cadela de um amigo dele estava em bem pior situação e já passou mais de um ano e ainda cá anda feliz da vida. Portanto, um dia atrás do outro.
De maneiras que o Bécos vai continuar a roer-nos os chinelos e a limpar a baba aos sofás por uns tempos. "Cozido à portuguesa" é que não pode comer muito, só de vez em quando, até porque está gordo.
Obrigada a quem se preocupou. Um enormíssimo xi-coração para todos.
novembro 16, 2008
Em conversa
Contei-lhe a história do Paço IV*, o último pastor alemão que tivemos em vida do meu Pai e que esteve um mês inteirinho enfiado debaixo da sua cama, no seu último mês de vida. O Paço não comeu rigorosamente nada e só bebeu água nesse mês, e morreu acho que passados quinze dias, no máximo (isto passou-se há vinte anos), apesar de ter no máximo dez anos e ser basicamente saudável, e de ainda nos ter a nós (éramos cinco filhos) e à minha Mãe. Mas o dono dele era o meu Pai, e ele achou que a vida dele, tal como a conhecia, tinha acabado.
Os cães são assim. É por isso que os adoro. Falar de fidelidade em relação a um cão é uma redundância - das mais redundantes.
* Os cães cá de casa, no tempo do meu Pai, sempre tiveram o nome da casa, daí o I, II, III, etc.
E hoje
E dormiu uma bela sesta a seguir, até ressonou. À tarde, toca de esfregar a baba e as ramelas aos sofás brancos outra vez (tamém já tavam sujos), de beber dois litros de água fresquinha e de dar uma bela cagadela no corredor, que o jardim é longe e não lhe apeteceu descer as escadas (quis ir, eu é que não deixei). Coitado, ficou aflito porque sabe que fez asneira da grossa, mas dei-lhe cinquenta beijinhos e percebeu que a coisa passava.
A jantarada foi mais cozido, os ossos do resto do nosso jantar e, calhando, mais uns quadradinhos de bacon, pois.
E assim se vai indo, feliz da vida (ele, que é o que interessa).
novembro 15, 2008
O Batatinha
Amanhã é outro dia. E segunda é outro (muito longínquo) e logo se vê.
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novembro 14, 2008
Crónica de uma morte anunciada
É a coisa mais engraçada que eu vi na vida. O mais meigo, o mais brincalhão, o mais palhaço. Mimado até ao tutano. Comecei a adorá-lo pelo telefone ainda antes de o conhecer, tinha palmo e meio de comprimento, e tive de o mandar buscar logo, sem esperar a data previamente acertada, tal foi a pressa para lhe ver a expressão. Chegou a rir, com aquela cara preta e bem disposta, os olhos vivos e brilhantes, o nariz eternamente molhado e a língua cor-de-rosa sempre de banda. Peguei nele ao colo e deu-me imediatamente cem beijos seguidos - reconhecimento filial... - e mais daria, se o pai não ficasse com inveja e não o tivesse roubado para ter o seu quinhão. Logo na primeira noite, dormiu a sono solto sem incomodar ninguém, dentro de um caixote ao lado da nossa cama, enrolado a princípio numa t-shirt minha que largou rapidamente - é calorento desde pequenino. E incomodar para quê? Sabia que tinha chegado a casa.
Ninguém diria, com tanto pulo e tanta alegria, mas já era doente. Tinha as pernocas de trás fraquinhas, pouco tempo depois descobrimos que tinha uma displasia das mais graves. Mesmo antes de começar os remédios diários (que ainda hoje toma e que engole como se fossem chocolates), raramente se queixava. Teve algumas dores enquanto crescia - porque cresceu à velocidade do som - mas que graças aos deuses lhe passaram quando atingiu o tamanho máximo, 60 kilos, mais coisa menos coisa, que isto de tentar pesar um bicho deste tamanho (e com este feitio) é quase impossível. Não que a displasia o tivesse atrapalhado nos meses seguintes, nos mergulhos no canal (nadar era o melhor desporto para ele e o pai nadava com ele religiosamente duas vezes por dia), nos passeios diários aos viveiros e nas perseguições incansáveis a tudo o que mexesse à volta da casa.
Feito de mel e açúcar quanto estava conosco - sempre a tentar subir para o nosso colo (olha quem, que pesava quase o mesmo que o pai) e para os sofás, onde se sentava a ver televisão com o rabo assente nas almofadas e as patas da frente no chão, como se fosse uma pessoa - era obviamente péssimo guarda. Valia-nos o aspecto dele, grande, preto e feio, nos dizeres dos vizinhos, que morriam de medo dele. Graças a ele e aos manos, não fomos assaltados em oito anos, e não me lembro de fechar alguma vez as janelas, quanto mais as portas.
Enfim, com as avarias que conhecem, chegou a Portugal há pouco mais de dois meses e meio. Gosta tanto de frio - está, porque quer, sempre na rua ou na corrente de ar (na tal porta do páteo de trás), que não sei como aguentou o clima tropical por dois anos. Verdade seja dita, um dos seus lugares preferidos na casa brasileira era o meu chuveiro de chão de pedra. Caiu (deixaram-no cair, os filhos da puta) da rampa do avião, assustou metade do pessoal da TAP, ou lá o que é (e devia ter mordido uns quantos), e adaptou-se às mil maravilhas ao clima do Ribatejo, à mudança repentina de temperatura (que a mim me lixou as costas, mas a ele deliciou-o), aos vizinhos (que se derretiam com a meiguice de uma besta deste tamanho), à família (lambeu tudo o que era primo/a - tenho oito sobrinhos - e tio/a - são quatro locais), às escadas (coisa que nunca tinha visto na vida), à Fum, a cadela que era da minha Mãe e agora é da minha irmã, por quem se apaixonou à primeira vista, etc, etc, etc. Até lambeu o veterinário, que hoje lhe proferiu a sentença de morte.
Sim, que o meu mais novo, o Batata (Táta, Tatinha, Táta Fita, Bébé, Bécos, Béquinhos, Caganita Dum Cão) morre provavelmente segunda-feira. E eu não consigo parar de chorar.
outubro 28, 2008
Acabei de
PS - É desta que eu apanho uma pneumonia...
Chamem-me exagerada
... mas acabei de acender a lareira. Esteve um vendaval o dia inteiro e a temperatura desceu uns bons graus. A casa é velha - muito velha - e as correntes de ar fazem parte da mobília. A que entra por baixo da porta do páteo de trás é tão forte que dava para montar um moinho de vento, de certeza. Ainda não me rendi às fantásticas porta-janelas de PVC e vidro duplo, principalmente porque preciso de oito (!) e não tenho tempo*.Não a acendi só pelo frio, mas a minha lareira é novinha em folha e eu estava desertinha para a ver crepitar (bonita, esta palavra, não é? Tão onomatopaica!**). Depois de quase uma década no Brasil, e apesar de eu dizer que a única coisa de que tenho saudades é do clima, tinha saudades de estar enroladinha à lareira, mesmo que esta tenha uma porta de vidro na frente e faça barulho de ventoinha, e que eu esteja de t-shirt e chinelos de enfiar no dedo.
* Leia-se money.
** Ó pra mim armada em culta!
outubro 24, 2008
Figas
E a semana continuou com cenas dignas de novelas mexicanas, mas isso agora não interessa nada, como diria a outra.
Mas graças ao jantar do Cenoura, que faz 40 anos amanhã e os vai festejar na praia à hora mágica do por-do-sol, a semana tem todas as hipóteses de acabar em beleza.


