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abril 08, 2009

Ugly Oilily - David e Golias, ou (mais) uma história de plágio

Detesto plágios. Ainda mais quando são à descarada e feitos com as costas quentes. Quando o Golias espezinha o David, então nem se fala. É o caso.

A empresa Oilily, o Golias deste caso (uma marca muito conhecida de roupa infantil e afins, para quem não sabe), copiou descaradamente um dos bonecos da Rosa Pomar, uma designer portuguesa, produzindo-o em massa na China, ainda por cima. No fundo, a Oililly está a fazer dinheiro à conta do talento da Rosa Pomar, o que é nojento.


As provas do crime - este é o boneco da Rosa Pomar:


E este a cópia chinesa da Oilily:



Se acharem que vale a pena (e vale sempre, quando a alma não é pequena), o que se pretende é que deixem de comprar qualquer peça da Oilily e que divulguem esta acção, defendendo uma designer portuguesa original. Mandem o texto abaixo para o mail info@oilily.nl e publiquem qualquer coisa a propósito no vosso blog.

Dear Oilily representative,

I am aware that your product no. 103394-3005 is a copy of Rosa Pomar's
well known soft doll and that she hasn't given you permission to use her design.
As a consumer, I have lost my confidence in your company. I will never buy from
you again and I will advise everyone else to do the same until you have
corrected this situation.

Please stop selling product no. 103394-3005 and all other products that
include the image of this doll immediately. You should also contact Ms. Rosa Pomar and compensate her for her loss.

Sincerely,

Your name
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março 08, 2009

Só para que conste


Estive quase a deixar passar a efeméride (são nove e meia da noite), mas não resisto. Para que conste, sou contra.

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março 07, 2009

Farinha do mesmo saco

Anda uma pessoa toda contente a tratar do jardim e depois vem à net e dá com esta notícia. Junto-os no mesmo saco, padrasto violador e arcebispo, que tem o desplante de dizer uma enormidade destas. O Clube do Vaticano no seu melhor!
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PS - Depois de ler o Shark, ainda descubro que a miúda (de 9 anos!) também foi excomungada e que o Vaticano defende a decisão do troglodita brasileiro.
PS2 - Depois de ler os comentários do Shark, descubro que afinal a miúda (de 9 anos!) afinal não foi excomungada, mas foi porque não calhou.
A sério, já nem consigo escrever mais sobre isto.
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março 05, 2009

A ponta do iceberg


Quando dantes ouvia falar em violência doméstica achava sempre que era uma coisa muito abstracta que só acontecia lá para os confins do Portugalinho bem profundo, em sítios isolados pela geografia e o clima, e entre gente rude, bruta, ignorante, revoltada com condições de vida impossíveis, desgraças, recalcamentos e curriculum familiar a condizer.

Mais tarde aprendi que o problema é transversal à densidade populacional e às classes sociais. Que se manifesta tanto em aldeias perdidas nas serras como em centros urbanos. Tanto em camponeses brutos e alcoolizados há gerações como em gente civilizada que até ostenta nome pomposo, educação superior, carreira profissional sólida e conta bancária bochechuda. Se também carregam exemplo familiar que justifique o seu comportamento, não sei e nem me interessa. Provavelmente sim, não que seja obrigatório.

Hoje em dia, vindas de pessoas em cujo discernimento até confio, oiço descrições de cenas, dignas de Fellini, de tareias portas adentro, protagonizadas por gente a quem jamais ouviria dizer merda em público. Daquelas que deixam marcas que se cobrem com maquilhagem, golas altas e mangas compridas no dia seguinte. Daquelas que não têm justificação, explicação, sequer fazem sentido. Daquelas que se vê logo que começaram por um simples estalo, dado num dia de ânimos exaltados em que se perde a cabeça, e que evoluiu para cavalarias mais altas. Com a desculpa de que foi só aquela vez, coitado, eu até mereci - o caraças! Porque aquela vez é a pior de todas, é a porta aberta, é aquela do a ver se pega, é a prova cabal de que se se dá aquela se quer dar mais e se se aguenta aquela se quer levar mais.

Que raio de merda de psicologia é esta???
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novembro 04, 2008

Finalmente,

... estou um nico melhor.

Depois de 6 dias de injecções de voltaren+relmus, mais comprimidos de relmus e um ocasional valium (às escondidas), mais massagens com elmetacin (aquele spray dos futebolistas), mais sacos de água quente, mais termotebe topo-de-gama (daquelas de ski que custam uma fortuna) e dois polares um por cima do outro, mais chuveiradas de água a ferver nos costados que saía de lá parecia uma lagosta cozida, mais lareira acesa a partir do meio-dia, e mais - tchan tchan tchan tchan! - duas visitas ao Dr. Mikola, um médico russo com consultório local* que pratica medicina chinesa há mais de 20 anos, e me deu duas tareias de criar bicho (vulgo massagens) seguidas de agulhas a deitar fumo espetadas na espinha e de ventosas à antiga que doem que se farta e macacos me mordam se aquilo se faz a alguém, e me mandou pôr um saco com 2 kg de sal grosso aquecido por 25 minutos no microondas e andar com ele o dia todo. Muito sexy, por sinal, não que isso me preocupe.

Mas melhorei. É um facto. Hoje benzo o raio do russo ou ucraniano ou lá o que é, e já nem tenho vontade, como tinha ontem, de fazer queixinhas ao Diogo para ele mandar vir a tropa de Oeiras e lhe darem cabo do canastro.

Amanhã às onze estou lá batida outra vez.

* peçam-me o número que eu dou e assino embaixo. Fora de brincadeiras, o homem é o máximo e sabe muito bem o que faz. Eu é sou parva e avessa a tudo o que me lembre médicos (em casa de ferreiro...).
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novembro 02, 2008

Desabafo com palavrões

Já me passou toda e qualquer vontade de gozar comigo própria e a dor nas costas. Estou há uma semana nisto, levo injecções todos os dias, e a puta da dor não há meio de passar. Arrasto-me da cadeira para o sofá e do sofá para a cama, não consigo fazer nada, nem tomar banho sozinha. Não consigo cozinhar (o estupor do fogão está alto, é o que dá ter uma chaminé de pedra). Lavo a loiça, vá. Não tenho força para os cães. Acordo de noite a gemer e de manhã para me levantar é uma tourada (para me deitar é outra). O Diogo tem sido incrível e faz absolutamente tudo cá em casa, mas a comiseração dos outros tem limites, principalmente quando eu perco a paciência comigo própria e desato aos pontapés às cadeiras. O que só me agrava a dor nas costas. Depois dizem-me que pode ser nervos. Qual nervos qual quê! Já estou como a minha sogra: eu não tenho ataques de nervos, tenho ataques de fúria. Ainda por cima parece que as injecções funcionam com toda a gente menos comigo. Só me deixam tomar uma por dia, mas as putas só me fazem efeito por umas três horitas. Que inferno.

julho 30, 2008

Realmente...


... há gente que não se enxerga*!

Dedicado à autora de um email que recebi ontem e que melhor fazia se ficasse bem caladinha lá no seu cantinho a rezar a todos os santinhos para que eu não perca a compostura de vez e a mande prá p*** que a pariu.

* Se há coisas a que eu ainda acho graça neste país são algumas das suas expressões.

janeiro 06, 2008

Ainda por causa do tabaco (e, se bem me conheço, não será a última vez...)

(...) A partir de 1 de Janeiro vou ser como aqueles homens que eram acusados de servir o diabo por consumirem álcool e os herdeiros contemporâneos das militantes evangélicas da lei seca norte-americana vão crucificar-me. Porque a verdadeira e mais profunda convicção dessa gente é a de que a lei antitabágica é amendoins – nada menos do que a ilegalização do tabaco, a medicalização e a criminalização dos fumadores as satisfaria. Porque para elas, sim, há uma espécie, a dos fumadores. Espécie inferior ou, no mínimo, raça degenerada, à espera de ser resgatada do seu ínvio comportamento ou punida pela sua recusa primitiva em ascender à civilização. (...)

Eu não o diria melhor (mesmo!). Leiam o resto aqui.

Parece que...


... enquanto não deixo de fumar, me vou safando por aqui e por aqui.
Já sei!
Vou fumar para o Casino do Estoril.
Será que a PIDE, digo, ASAE, me obriga a jogar?

janeiro 05, 2008

Italiana chique

Depois de uma amena cavaqueira numa rua de Sintra com o Infante D. Henrique de Bragança (ai que chique!) a propósito de animais de estimação e de como é crime comprar cães de raça em petshops com tantos abandonados que há por aí hoje em dia, lá fui eu tomar uma italiana sem um cigarro a acompanhar... o que vale é que não estava a chover.

A minha Mãe disse-me a vida inteira que "é feio fumar na rua". Ai é? E fumo onde?

janeiro 02, 2008

Happy New Year!!!

Mais que toxicodependente ou alcoólatra, sinto-me uma criminosa por ser fumadora. Eu até quero deixar de fumar, mas por amor de Deus! Parece que descobriram que a culpa de todos os males da sociedade, da segurança social falida, do crime organizado e da violência, afinal, é de quem fuma!

novembro 29, 2007

Não admito...

... isto:
... nem isto.

Por isso, apoio as Panteras Rosa. O selo vai já ali para baixo.

novembro 16, 2007

O nascimento de um ditador


Para quem cresceu tendo a democracia como dado adquirido, que é o meu caso, ler o que se está a passar na Venezuela é uma experiência educativa. O regime que Hugo Chavéz está a criar não é só autoritário, como se propõe criar uma nação à sua imagem e semelhança.

Ele é o típico déspota sul-americano em potencial. Foi eleito por democraticamente* em 1998, mas acaba de alterar a constituição de modo a que esta se adeque perfeitamente à sua vontade: a centralização total do poder (já controla a quase totalidade dos meios de comunicação, entre eles 8 canais da televisão), a militarização do país e o desrespeito pela propriedade privada, além de ter aumentado o mandato presidencial e de o ter tornado renovável por tempo indeterminado.

Chávez é intolerante a opiniões divergentes e chegou a quebrar o sigilo do voto do último referendo, usando essas informações para punir opositores, cortando-lhes créditos pessoais ou negando aos seus familiares o ingresso em faculdades públicas, por exemplo. Controla a renda do petróleo pessoalmente (a reserva venezuelana é a sexta maior do planeta), assegurando o apoio popular através de projectos assistencialistas gratuitos, na área da saúde e da educação. Transforma as instituições públicas em ferramentas de uso pessoal, proibindo-as de contratar oposicionistas, e obriga as empresas privadas para fazerem o mesmo. Quer destronar a classe média-alta, importando por exemplo médicos cubanos, cujo diploma não é sequer reconhecido no país, mas que ganham 30% a mais que os venezuelanos. Criou as chamadas “universidades bolivarianas”, com o objectivo de formar a futura elite do seu “socialismo do séc. XXI” a partir da juventude mestiça com a qual faz questão de se identificar, para criar uma “grande nação mestiça”.

Com a nova reforma constitucional, que será aprovada ainda este mês (o único partido de oposição, o “Podemos”, que tem apenas 8 assentos no Parlamento, também é chavista), Hugo Chávez cimenta a criação das bases legais para um estado todo-poderoso que lhe assegura o poder absoluto a todos os níveis: administrativo (poderá subordinar militarmente os representantes regionais eleitos pelo povo), judicial (os tribunais já são controlados a 80%) e executivo (já domina as forças militares e de ordem pública e vai conquistar com esta reforma o direito de promover pessoalmente os militares que escolher), e económico, através do controle do Banco Central (que perde a sua autonomia, ficando sob a alçada directa do presidente), já para não falar do Artº 337, que decreta que “o presidente (...) poderá decretar o estado de excepção(...)”, o que lhe dá o direito legal de suspender, por tempo indeterminado, os direitos individuais e de imprensa sem outra justificativa que não seja o vago “interesse da nação”...

Chávez já age como déspota. Desrespeita tudo e todos os que, de algum modo, se atravessam no seu caminho. Já chamou burro e bêbado a George W. Bush e declarou em alto e bom som a sua intenção de invadir a Bolívia, se o seu amigo Evo Morales for afastado do poder. E há uns dias atrás, intitulou José María Aznár de fascista, na cimeira ..., e quando Zapatero defendeu Aznár, enquanto democraticamente eleito pelo povo espanhol, interrompeu-o repetidas vezes, fazendo com que o Rei Juan Carlos o mandasse calar – o que ele não ouviu, felizmente, o que teria provocado mais um incidente internacional. Mais tarde, dirigiu-se a ele nestes termos: "Señor Rey...", assim como quem diz: "ó Dona Condensa..."

Mas, para mal dos pecados de quem não o apoia, Chávez tem a adoração do povo venezuelano, se bem que não o apoio às suas acções políticas, que violam a propriedade privada e provocam calafrios ao militarizar o país. Além do carisma pessoal, como mestiço ele tem a “cara do povo” (um pouco como acontece entre Lula e os brasileiros, mas falando de história pessoal e não de raça), que, ignorante das suas políticas, pensa que ele dá voz aos pobres e vêem nele os valores morais, familiares e religiosos que mais prezam.

* Ou por aquilo a que a Venezuela chama "processo democrático"

novembro 01, 2007

Marialvismos


Eu até nem sou de feminismos, mas esta não engulo! Vejam o atractivo especial das WC masculinas num centro comercial de S. João da Madeira. Não há nada sequer remotamente parecido nas femininas, mas, para acentuar mais ainda o ar machista da coisa, trataram de fazer lugares de estacionamento especiais para mulheres, pintados de cor-de-rosa e mais largos que os normais!!! Incrível!
Li aqui. E quem quiser mandar um email a reclamar (o que aconselho vivamente!) tem aqui o email.

julho 25, 2007

A roleta russa dos céus brasileiros

O Brasil acaba de quebrar mais dois recordes, desta vez nada abonatórios, como as infindáveis medalhas de ouro que tem vindo a arrecadar nos Jogos Pan-Americanos, mas aterradores: o de ter tido dois desastres aéreos em menos de dez meses – o choque em pleno ar entre um avião da GOL e um jacto particular em Outubro passado na Amazónia, e o facto de o último, a queda na passada semana, em São Paulo, de um avião de passageiros da TAM em que morreram 199 pessoas, ter sido o maior de sempre na América Latina.

Para somar ao facto de ficarmos todos a saber em Outubro passado que há dezenas de “zonas cegas” nos céus brasileiros, não cobertas pelos radares e, portanto, não controladas por ninguém – onde os pilotos voam apenas com base naquele instrumento de precisão, de fiabilidade bem conhecida e very typical por estas bandas, conhecido por “olhómetro”... –, e de ter vindo a público a incrivelmente sobrecarregada carga de trabalho da inversamente proporcional quantidade de controladores aéreos nos aeroportos do país (calcula-se que seriam necessários mais 70% no activo, sem contar com os de reserva, só para atender ao número de vôos médio actual), ocorre-me comparar a aventura de voar no Brasil – destino que, como se sabe, recebe quase 90% dos portugueses em férias no exterior – a um jogo de azar, o qual, como a roleta russa, poderá facilmente resultar na morte dos participantes.

Para além do perigo de vida, soa-me a futilidade falar do desconforto e do abandono total dos passageiros acampados nos aeroportos de São Paulo e do Rio: só nos últimos dias, por causa das chuvas intensas (mas habituais), do aumento exponencial do tráfego aéreo resultante das férias escolares e do Pan, estão cerca de 15 mil pessoas em longas filas de espera a ver 70% dos seus vôos cancelados e atrasados, sem previsão para decolar, sem acomodação, assistência ou alimentos assegurados pelas companhias aéreas – obrigatórios segundo as regras internacionais – e, para cúmulo, sem qualquer explicação ou pedido de desculpas por parte das autoridades competentes.

O caos aéreo brasileiro já é há meses motivo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) e, segundo a Globo, acabou por causar (hoje) a substituição complusiva do Ministro da Defesa, além de várias denúncias de sobrefacturação que explicariam os mais dois anos de atraso nas obras dos das pistas dos aeroportos de São Paulo, cujo dinheiro reverteu para campanhas eleitorais. Também hoje foi finalmente proibida pelo Ministério da Defesa a venda de passagens para vôos com origem no maior aeroporto de São Paulo, Congonhas, até serem escoados todos os passageiros não embarcados até agora – medida que, segundo a mesma fonte, acabaria com o problema em 24 horas; mas, na mesma notícia, é afirmado que a venda de passagens continua a decorrer normalmente, com uma taxa opcional de 20% para quem quiser ter a certeza que decola... – mais uma promessa por cumprir.

Até ontem, o Brasil tinha-se esquivado às implicações internacionais do problema dando prioridade absoluta aos vôos externos, mas hoje, um vôo da British Airways com destino a São Paulo foi obrigado a aterrar no Rio, e os seus passageiros e respectiva tripulação estiveram catorze horas aprisionados dentro do avião estacionado, sem autorização para sair, sem comida e, como é óbvio, sem qualquer explicação. Se não conseguem estatelá-los no chão, matam-nos à fome?

junho 21, 2007

O significado da vida?

Como cantavam os Barclays James Harvest, ‘life is for living and living is free’.
Para uma mente sã, o simples facto de estar vivo deveria ser suficiente. Mas não há mentes sãs. Pelo menos, não sempre. Todos temos períodos temporários de insanidade mental, o que, ao mesmo tempo que nos pode livrar das tão temidas depressões, nos provoca neuras, por vezes monumentais.

Somos humanos. Viver não chega. Amor e uma cabana soa bem, desde que a cabana tenha ar condicionado e seja em Bora Bora. Ou seja, é preciso viver bem. E não, não estou a ser sarcástica (não muito...). Podemos ter tudo, mas se não tivermos o suficiente, somos obrigatoriamente infelizes. E o insuficiente pode ser tudo. E não ter tudo pode ser a mesma coisa que ter coisa nenhuma.

Conheci há dias uma brasileira, bonita, rica, muuuuito bem sucedida profissionalmente (juíza do supremo tribunal, um dos melhores cargos públicos a que se pode aspirar no Brasil), casada com um advogado suíço reformado e com dois filhos de um casamento anterior, com uma casa supostamente óptima na cidade e outra (esta vi eu) linda, à beira de uma lagoa. Visto de fora – e apoiado pela atitude dela à entrada, do tipo chéguêi! -, parecia ela que tinha tudo aquilo que a maioria das pessoas pode desejar. Mas, assim que bebeu uns copos (nove!, notem, NOVE!!! caipirinhas – e depois eu é que bebo!!!), brindou-nos com uma crise existencial daquelas cinematográficas, com uma banda sonora bem documentada por uma dezena de motivos do tipo “tenho uma borbulha no nariz”, que, dado o currículum da menina, todos achámos insignificantes. Para mais, segundo disseram as más línguas (profusamente presentes na ocasião, diga-se de passagem...), as nove caipirinhas eram perfeitamente habituais (!).
Moral da história: nunca nada chega? Ou há gente que nunca está contente com nada? Bolas!
Bem sei que a felicidade não existe, vai existindo. Não é um estado, é feita de momentos. Não se é, está-se feliz. Etc, etc, etc...

O significado da vida? Só pode ser vivê-la. Porque se for mais do que isto, é o quê, alcançar a santidade?

Aaaaaaaargh!!!.......................

junho 11, 2007

À beira de um ataque de nervos

Estou naqueles dias. Não, não é TPM. É neura, mesmo. E da furiosa. Se fosse TPM, tomava uma aspirina e pronto. Estou à beira de um ataque de nervos. Aliás, de fúria, pois, como diz alguém que eu conheço “as bimbas têm ataques de nervos; as pessoas de bem têm fúrias”. Mas eu sempre tive tendência prá chinela... ou para as havaianas.

Cheguei da cidade, onde fui muito prosaicamente configurar o novo laptop. Foram precisos quase 200 quilómetros, duas longas e dolorosas viagens com um motorista com cara de assassino e olhos raiados de sangue (ou de cachaça...), pois como se explica que guie a uns vertiginosos 90 km/hora um autocarro do tempo da guerra, a rebentar pelas costuras de povo, malcheiroso e para cúmulo com o rádio fanhoso aos gritos, numa estrada que no tempo da maria cachucha deve ter sido de alcatrão e que agora é de terra batida, de cinco metros de largura e que de estrada só tem o nome? É o que dá viver no mato.

Cada vez tenho menos paciência. E ainda por cima acabadinha de chegar de Lisboa, habituada a Audis, ar-condicionado, auto-estradas de três faixas, lixo reciclado, gente bem vestida a cheirar a Chanel 5, salmão fumado com limão, Bimbys, “a menina quer umas uvinhas descascadas?, talvez um strudel, eu faço-lhe num instantinho!” e outros mimos do género.

Como, pergunto eu, me vou habituar outra vez a conviver com energúmenos, feios, porcos, burros como portas onduladas, atrasados mentais, bestas quadradas, analfabetos, incompetentes, ranhosos e brutos, que respondem “oi?, hã?, oi?” a tudo quanto se pergunta, parece que não falamos a mesma língua... ou seja, 98% das pessoas que me rodeiam? Juro que às vezes penso que fui apanhada nas curvas perversas de alguma anedota celestial e que alguém lá cima se contorce de dores de estômago a rir às minhas custas! Parece Fellini.

Outros dias virão. Melhores – não será com certeza difícil. Alguém conhece um remédio para ficar temporariamente cega e surda ao que não se quer ver? Sem ser Prozac (não gosto de químicos) e álcool, que dá uma ressaca desgraçada.