novembro 16, 2007

A decisão certa?


A esmagadora maioria das pessoas diria, sem pensar muito no assunto, que o nascimento de uma criança é sempre um acontecimento de alegria. Dito assim, concordo sem reservas.

Duas crianças nasceram hoje. São dois rapazes, como se sabia que seriam. Nasceram de cesariana, como hoje em dia se tornou normal, mas estão (eles, e as respectivas mães) de boa saúde, pelo menos até ver. Os dois têm sangue lusitano, e talvez por isso me sinta tão ligada a eles como se fossem meus sobrinhos (que serão, ainda que não oficialmente), desterrada que estou, ainda que voluntariamente, do meu país. Infelizmente para um deles, a semelhança acaba aqui.

Um destes bébés nasceu são, bonito e será feliz, na medida do possível, porque os pais são gente de bem e sonham com ele desde que é apenas um projecto. São honestos e trabalhadores e farão o possível para que este filho cresça no melhor dos mundos.

O outro é fruto do acaso ou, melhor dizendo, das inconsciências somadas de um brasileiro parasita de profissão, inútil, preguiçoso, bêbado e ex-drogado, e de uma portuguesa mãe-criança, não muito inteligente e acomodada. Para cúmulo, são os dois seropositivos.
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Um pedido à Marta, do Claras em Castelo, para desenvolver este assunto como ela o sabe fazer.

11 comentários:

marta disse...

OH MAD!!!


fiquei comovida com esta história, mas Mad, não sei se o vou conseguir fazer.

É mesmo um verdadeiro desafio.
Apetece-me imenso fazê-lo, mas ao mesmo tempo tenho dois medos, um maior do que o outro.

O maior, é não o conseguir fazer devidamente,
o outro é que fiques desiludida.


tenho de pensar nisto.

Obrigado.
Mas não acho justo que fique no meu blog.

Por isso faço-te contraproposta.

Que tal fazer um texto que dê para debate, com perguntas implícitas e ou explicitas, que tu editas e que eu digo no Claras que o texto está aqui.

Já uma vez me fizeram um desafio do género, com outro assunto e o post só foi publicado no outro blog, e deu um debate muito giro.
vou-te deixar o link para lá ires e ver se gostas da ideia.
defenderás o texto e eu virei também comentar.
"http://lagra.blogspot.com/2007/06/legalizao-e-liberalizao-da-prostituio.html"

se for esta a ideia final, logo que tiver o texto pronto entre 2ª e 3ª feira, mandava-to por email, para ver se querias fazer alguma alteraçao.

diz-me qualquer coisa
o meu email: marta818@gmail.com

Obrigado Mad

Fatyly disse...

Realmente a disparidade é imensa entre dois seres que não pediram para vir ao mundo.

A Marta? ohhhhhhhhhhh vou estar atenta ela "bate as claras em castelões fofos e bem duros":)

Ervilha Escriba disse...

Olá Mad,

Fazes posts tão sérios que eu sou forçado a dizer ao Ervi para se calar um bocadinho para poder comentar em paz!

Julgar é um erro. Nada te garante que o menino que parece à partida mais desfavorecido não venha a ser o mais feliz.

Seropositivos ou não, têm todo o direito a ter um filho. Quaisquer considerações morais (e, como tal, subjectivas) não podem interferir com a liberdade individual de cada um.

bjs

Mad disse...

Mas a liberdade de cada indivíduo acaba quando começa a do próximo, não?

De qualquer modo, é difícil não os julgar, já que esta criança será provavelmente órfã antes de chegar aos 10 anos...

Ervilha Escriba disse...

Mais ou menos. Isto não é nada politicamente correcto mas um bebé não tem liberdade individual, é um ser 100% dependente e inútil.

Não tenho quaisquer dúvidas que o direito a procriar, qualquer que seja a situação social, económica, de saúde ou de quociente de inteligência dos progenitores tem de se sobrepor sempre a quaisquer possíveis direitos do rebento nem que fosse só por uma questão de precedência cronológica.

Compreendo que é muito diferente eu estar aqui a teorizar e tu a observares in loco o que se passa e também sei que sou ultra liberal.

Beijinhos

Mad disse...

Eu percebo a tua posição, e acho que ela não é oposta à minha. Não estou a discutir o facto de eles terem direito a terem ou não um filho (isso é indiscutível), mas a consciência de o terem tido nestas cirscunstâncias, quando nem sequer levam a sério os próprios tratamentos (a Sida já não é uma sentença de morte), nem que fosse com o objectivo de poderem cuidar dele. Mas nem isso fazem, como não fazem nada que não seja com objectivos egoístas. Tiveram um bébé por prazer próprio e sabem que alguém, provavelmente a avó de 70 anos, cuidará dele.

av disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
av disse...

Não concordo nada com esse ultra-liberalismo-urbano-blasé aplicado a este caso, embora também me considere muito liberal. Exactamente pelo facto de um bebé ser totalmente dependente - logo, um ser humano INDEFESO - é que os seus direitos devem ser defendidos e respeitados. Uma criança não é um boneco para usar e deitar fora. Santa paciência: ser pai ou mãe implica responsabilidade. Não há volta a dar, e não me chamem moralista.
E não acho indiscutível que dois seropositivos tenham um inquestionável direito a ter um filho, assim sem mais nem menos. Ele pode até não ser portador do vírus ou negativar nos primeiros meses, mas o risco é grande. E não só: já cuidei de recém-nascidos filhos de mães toxico-dependentes, e é um espectáculo que não recomendo a ninguém. Ou melhor, recomendo a qualquer mulher toxico-dependente a quem passe pela cabeça ter uma criança.
Desculpem se me escapa alguma coisa, mas desde quando é que a precedência cronológica é razão de supremacia nos direitos???

Mad disse...

Assino embaixo. Quando disse indiscutível, é porque a lei lhes dá esse direito.

Mad disse...

A todos: a discussão continua no Claras em Castelo. Não me apeteceu ter trabalho a pôr aqui o link, mas está mesmo à vista.

kiko b disse...

todos temos direito à vida...
todos não escolhemos nascer...
todos precisamos de ajuda...
todos nós não escolhemos o sitio, os pais e a sorte que ai vem...
todos somos irresponsáveis, uns mais do que outros...
só o pensamento futuro comanda o presente.
o euromilhões tanto sai ao esquerdo como ao direito.