setembro 15, 2007

Um poder maior

Apesar de não ser propriamente religiosa (sou mais do género que se lembra de Sta. Bárbara quando há trovões...), reconheço a grande probabilidade de haver um poder superior a nós. Tem que haver. Como se explica de outra forma a perfeição da natureza, o seu equilíbrio, a sua simetria? “Calhou” no Big Bang? Não pode ser.

Religião é um assunto que me fascina há anos. Leio tudo a que consigo deitar a mão – e aqui não é fácil achar livros que não sejam “ditados pelo espírito Ezequiel”, ou do género “deixe que os anjos controlem a sua vida amorosa”, como se eles não tivessem mais nada que fazer. Já devorei o que encontrei: o Alcorão, a Bíblia, as Religiões do Mundo, o Budismo em 10 lições, e uns mais alternativos, sobre a Maçonaria, os Rosa-Cruzes, os Orixás (o entrosamento com o catolicismo no Brasil é fascinante) etc, mas é só.

E, muito a propósito da visita do Dalai Lama a terras lusas e apesar de “ter nascido” católica apostólica romana (hoje sou, quando muito, cristã...) confesso que tenho uma atracção irresistível pelo Budismo, talvez por vê-lo como um meio-termo entre uma religião e uma filosofia, que busca a paz e a serenidade e tem ideais libertadores, em oposição às ordens castradoras – para dizer o mínimo – da Igreja Católica Romana, que ameaça toda a gente com o fogo do inferno por dá-cá-aquela-palha.

4 comentários:

pedro sanchez disse...

Eu ainda me sinto um pouco Católico, pois vou quando me dá nas ganas a uma igreja e comungo quando estou para aí virado e me sinto bem comigo e com o Mundo, e rezo todos os dia ao deitar com orações que eu próprio fui construindo e que agora são as minhas ladaínhas.

Mas percebo o que dizes. Acontece muitas vezes nas minhas viagens dando comigo a entrar em qualquer templo ou local de culto seja ele de que religião for, onde vou orar e encontrar um pouco de Paz.

Já rezei em templos, budistas, sinagogas, mesquitas, nas que podemos entrar que são muito poucas e nem quero entender o porquê dessa estupidez, ortodoxas, anglicanas, e rezo sempre ao mesmo Deus tenha Ele o nome que tiver. Pouco me importa é só UM.

bjs, pp.

ana vidal disse...

Falou e disse, maninha. E o PP também. Para mim, que estou mais ou menos no mesmo patamar que a Mad (a mesma dúvida, a mesma curiosidade irresistível, a mesma esperança em "algo mais"), as grandes religiões - as mais sérias e mais antigas, as ditas monoteístas* - têm todas aproximadamente a mesma essência: aperfeiçoarmo-nos, praticarmos o bem, vivermos em paz connosco e com os outros. O resto é, quase tudo, folclore local.

* No fundo, acho que não há religões monoteístas. Os homens sentem que apelar a deuses menores ou santos (Sta. Bárbara é um bom exemplo)faz com que sejam mais ouvidos na hora. A organização deste raciocínio é completamente humana: dividir as coisas por departamentos, atribuir responsabilidades, garantir que "alguém" está lá para cada assunto específico.
Nessa facilidade não consigo acreditar. Mas também sinto que a harmonia universal só pode ser criação divina, porque a perfeição da natureza é assombrosa. Seja o que for que chamemos a Deus, nas nossas variadíssimas simbologias.

Luis Castilho disse...

Dizia S. João que ninguém jamais viu a Deus, pelo que para falar em Seu nome importa previamente declarar que fala em nome da fé, não da simples razão humana. Nada como um bom dogma, para nos confortar a alma e evitar essas partidas que a razão nos prega. Nada como uma Santa Bárbara para intermediar esta nossa latinidade com o Altissimo. Pena mesmo é que a Administrativa Romana Casa do Senhor insista em nos tornar sacro-excluídos. Quiça não nos aproxima cada vez mais dele e menos dos assessores? Por mim falo.

Mad disse...

Assino embaixo de todos, mas do Luís então nem se fala! E falas por mim, querido, que vivo em pecado há quase 7 anos... já para não falar do resto.