fevereiro 14, 2012

Cores

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Rodeada de mil tons de verde, outros tantos de azul.

Com duas telas em branco à frente, uma maior, outra mais pequena, tenho vontade de reproduzir fielmente esta palette natural. Sei que não serei capaz, por isso aquieto-me e só bebo, além de um whisky com gelo, toda a riqueza cromática que me cerca.

O fim de tarde afogueia os tons. Os laranjas e malvas do céu asseguram-me que amanhã estará um dia tão glorioso como hoje, o azul petróleo da água reflecte o roxo das poucas nuvens e semeia-se de estrelas precoces, causadas pelos últimos raios de sol. Ao mesmo tempo, as sombras das plumas, embaladas pela brisa, dançam compridas no chão de pedra do terreiro, fazendo com que os tons de terra se escureçam à vez.

A minha camisola encarnada faz-me sentir uma forasteira. Nada à minha volta tem esta cor, a não ser no verão. Não há cores puras nesta altura do ano, tudo é matizado. Até a urze é branca e lilás. À excepção dos frutos do limoeiro mais fértil que conheço, plantado atrás da casa, que, para não me estragar a estatística, teimo em classificar como verdes. Não são, são escandalosamente amarelos.