março 20, 2009

Quarto dos Mortos*

Eu até já tinha assinado a petição. Mas a Angelblue chamou-me a atenção outra vez para esta barbaridade. Parece que há coisas às quais só um grandecíssimo murro no estômago nos faz reagir. Esta é uma delas. E já se sabe: mexem com bichos, mexem comigo.

Todos vocês já ouviram de certeza falar disto: um anormal qualquer não teve ideia melhor para se autopromover mundialmente do que atar um cão abandonado na rua (outra ironia: o canito chamava-se Natividad) e deixá-lo morrer lentamente à fome e à sede às vistas de quem visitava aquela "exposição". Para cúmulo, o artista, de seu nome Guillermo Vargas Habacuc, foi convidado a fazê-lo outra vez este ano.

Se eu vivesse perto da dita "exposição", das duas uma: ou matava o filho da puta do Habacuc à chapada ou, se não quisesse problemas, pagava bilhete todos os dias só para dar água e comida ao cão. Palavra que era gaija para sequestrar o dito cabrão e enfiá-lo no meu Quarto dos Mortos*, qual Fritzl, e matá-lo à fome, à sede, e, já agora, ao pontapé nos tomates.

Mas há aqui coisas que eu, juro, não percebo. Uma coisa é o filho-da-puta do Habacuc que se quer autopromover e não olha a meios - e o facto é que conseguiu ser conhecido a nível mundial; outra é o museu (não sei qual é, nem me interessa) que conseguiu o mesmo. Até aqui ainda vou. Não aceito, mas percebo. Mas o que eu não percebo mesmo, por mais que tente, é a quantidade de gente anónima que por ali passou todos os dias, que viu a agonia do Natividad, que lhe percebeu o desespero nos olhos e não fez NADA. Rien. Nothing. Zero. A ponta dum corno, falando em bom português.

Se acham que eu tenho razão, assinem, por amor de Deus, a petição aqui: e não, não há desculpas.


* Tenho uma divisão na minha casa que é chamada assim há décadas. Um dia conto, juro.
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19 comentários:

Mãos de Veludo disse...

Tb já tinha assinado, mas isto parte-me o coração... pessoas Idiotas (e é chamar-lhes spouco)

Su disse...

Já comecei a escrever este comentário duzias de vezes, mas em nenhuma me pareceu o suficiente para retratar o que sinto sempre que leio, vejo, penso ou falo sobre este assunto.

As fotografias das pessoas de copo na mão, em amena vernissage transcende a minha compreensão! E não percebo também a intençao do filho da puta do Habacuc, nem dos museus que aceitaram isto, nem das autoridades que o permitiram! Não percebo nada e não percebo o raio de mundo onde vivo!

Marisa disse...

Já assinei.. e se não te importas vou linkar..

isto enoja-me até ás entranhas!!!!

Marisa

Iris R. Costa Barroso disse...

Assinado...

Ainda se admiram porque razão luto eu pelo touro nas touradas...

Talvez um dia eu rapte o dito cujo e quem sabe, não faço nome às custas da morte dele.

Quem sabe o dia da amanhã...

Patti disse...

Mad, esta notícia correu pela net muito tempo, anos até e é totalmente falsa.
Eu também adoro animais e condeno que todos os actos contra eles, ainda sejam cometidos impunemente em tantos países, o nosso inclusivé.

Daí, a ter procurado por todo lado mais dados sobre a tal exposição, o cão vadio e o seu artista-carrasco.
E encontrei isto: http://bitaites.org/cromos/o-caozinho-nao-morreu-esta-bem

Ao ler este post, achei que te devia informar, sobre o que descobri sobre este assunto do "cão que morreu à fome" e da petição que se seguiu.

Deixo-te aqui este post do blog "Bitaites", que me deixou muito mais descansada quando o li.

Também acreditava no assunto e assinei a petição, mas tratei logo de o esclarecer.

Já sei que a notícia surgiu novamente e depois de tudo o que sei hoje, só pode ser outra vez falsa.

PKB disse...

Pois, eu também não percebo como é que se pode assistir a uma coisa dessas sem agir, sem fazer nada, sem pegar no animal e salvá-lo daquilo. Juro que não percebo!
Também enchia o gajo de porradaria até ficar negro e depois fazia uma exposição dia-a-dia do resultado da sevícia diária... e viessem cá com os direitos humanos que eu lhes dizia..! Cabrão de merda!!!

Mad disse...

Patti,

Fui lá ver o Bitaites e o texto da ZonaPunk e fiquei com algumas dúvidas. Parece que o cão fugiu ao terceiro dia e que o artista, "que se negava a responder se o cão havia sido alimentado, se havia morrido e não permitia que o público libertasse o animal", até alimentava o bicho.

O link do outro texto é este: http://www.zonapunk.com.br/ver_materia.php?id=123

A exposição foi real, o cão existiu e esteve preso. E pelos vistos só se safou porque fugiu. Não sei que pense.

Beijos a todos.

Fatyly disse...

Na altura li a polémica em torno do assunto e pelo que dizes no comentário o cão fugiu, mas segundo li, alimentavam o bicho mas não o suficiente.
A morbidez das pessoas é que leva ao sucesso de exposições deste género, sem pés nem cabeça.
Estou como tu, se fosse perto...o artista virava sei lá o quê.

Van Dog disse...

No outro dia li no blog do Zig uma notícia animadora, passada na Irlanda:
http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=1174213

Estes anormalões todos encontraram uma forma de fazerem publicidade gratuita à conta do sofrimento alheio. Este mundo anda doente...

Alexandra disse...

Não sei se é verdadeira ou falsa mas só a ideia de apassar como verdadeira já me arrepia.

Estou contigo. Compramos dois bilhetes de avião, salvamos o cachorro e desancamos o ignóbil à porrada.

Angelblue disse...

Mad é a pura verdade o irmão do meu coreografo o Jean Luc à muito que pertence à organização Mundial dos direitos dos animais, foi ele que me enviou isto, porque eles passam a vida a tentar que este tipo de situações crueis continuem a dar muito dinheiro a gente que não presta para nada. O que acontece é que o nome da dita Bienal e de quem patrocina estas tretas, é muito mais importante e vai de passar paninhos quentes no assunto, para dissipar a publicidade negativa em volta deles. Estes rituais sadicos com animais existem no mundo da arte desde Há seculos na corte Francesa, a diferença é que estamos num seculo diferente onde não podemos permitir nem passar ao lado de situações decadentes como esta. Foi desmentido e conveniente dizer que o cãozinho está bem. Pois claro...

Angelblue disse...

Aah so mais uma coisinha, cada vez que o Jean Luc tenta impedir coisas deste genero recebe muitos mails, do género, para ter cuidado e não se meter com quem não deve. Neste caso enviaram-lhe logo a seguir um mail para ter cuidado e não entrar em festas onde não é convidado, ou pode não voltar a saír...

Patti disse...

(sim, o zona punk é o site mais esclarecedor e chegas via Bitaites)

Hesitei em colocar de novo o que penso, mas aqui vai.

Logo à partida, os jornais que publicaram a notícia nem na exposição estiveram presentes, limitaram-se a publicar somente opiniões e nem se deram ao trabalho de as confirmar. Péssimo profissionalismo o que para mim torna logo a notícia desprovida de qualquer crédito.
Estas e outras fotos, foram tiradas por uma artista presente na exposição que as enviou para um colega, também ele artista plástico que divulga a cultura da América Central.
Uma das intenções do ‘artista’ Habacuc, foi a de chamar atenção para um problema social: os renegados da sociedade são invisíveis no seu meio, isto é, na rua onde todos nós andamos e fingimos que não os vemos, mas se de repente forem colocados num lugar de destaque, já toda a gente presta atenção, opina, olha, repara e até tem alguma coisa a dizer. Em duas palavras, a hipocrisia humana.
A outra intenção, está no nome que deu ao cão vadio: Natividad.
Natividad foi um homem da Nicarágua que vivia ilegalmente na Costa Rica e que se tornou mendigo. Foi atacado violentamente por rotweillers, ficou entre a vida e a morte, foi sujeito a várias intervenções, mas acabou por morrer. Na altura a polémica foi enorme e correram acusações de desleixe, xenofobia e negligência das autoridades policiais, que segundo conta tiveram poderiam ter abatido os cães durante o ataque e não o fizeram, deixando simplesmente o desgraçado do homem ser trucidado.
Para Habacuc, a exposição do cão tinha este sentido e passo a transcrever:
“Talvez isso explicasse as enigmáticas declarações do artista, que se negava a responder se o cão havia sido alimentado, se havia morrido e porque não permitia que o público libertasse o animal. Talvez sua crítica fosse de que assim igualmente ocorreu com Natividad, que nunca fora notado nas ruas e que no momento da sua morte poderia ter sido salvo, mas que ninguém fez nada para isso, permaneceram como meros espectadores”.
Quando o boato se espalhou a própria Galeria emitiu um comunicado dizendo que o cão nos 3 dias que lá esteve era alimentado pelo artista, com a própria ração que fazia parte da exposição. O cão era solto num pátio, fora do horário da exposição e um dia escapou-se.

Isto é arte? Duvido muito. Mas essa é outra questão.
Para mim é violência sobre um animal doente, onde os seus direitos são totalmente desrespeitados e violados. Mas isso já nós sabemos que é prática do Homem, esse sim o maior animal de todos os seres vivos.
Todos os dias se torturam animais em nome da arte, do divertimento, da maldade humana, do desprezo pelo valor da sua vida.
Eu própria trabalho pontualmente com um canil na minha zona, onde todos os dias isso é visível, lamentavelmente.
Daí que notícias destas sejam susceptíveis de indignação, revolta, mas também boato e difamação. O que na minha opinião e pelo que me informei, logo em 2007, é o que se trata neste caso específico do cão Natividad.

O que me levou a duvidar logo no início, da notícia do ‘CÃO QUE É DEIXADO A MORRE À FOME”, foi o que tu mesmo referiste, que ias lá e o alimentavas, mesmo que Hababuc não deixasse, visto o cão não ser dele, nem de ninguém
Ou simplesmente se tirava de lá o cão, ou se chamava uma entidade protectora, a polícia, quem quer que fosse. Se o cão estivesse mesmo a morrer à fome perante os nossos olhos, de certeza que haveria alguém, no meio de tanta gente a revoltar-se, da mesma maneira que agora toda a gente se indigna e assina a petição.
Isto para mim é evidente.

Em segundo lugar, não dou nenhuma credibilidade a petições via mail, ainda para mais como esta, onde me aparecem anúncios a perguntar se eu quero emagrecer, se preciso de um personal trainer ou se quero conhecer uma enfermeira lasciva? Esta mesma petição em 2007, apresentava-me o Viagra e sites pornográficos.
Qualquer de nós pode criar uma petição online, basta ir ao site: http://www.petition.fm
Estas petições são uma mina, que sobrevivem à custa de pessoas bem intencionadas. São um roubo descarado, que vive impunemente pela net.
Basta comparar o tipo e a credibilidade que te dá uma petição elaborada pela Amnistia Internacional, de que eu faço parte e que assino todas sem excepção e uma destas que circula por aí com crianças que têm doenças, de animais maltratados, de crianças desaparecidas etc, etc, etc.

Desculpa a usurpação do espaço e o longo comment, não é muito o meu costume mas achei necessário. Penso ser importante neste caso, visto estar em causa os direitos dos animais, sempre negligenciados, as duas versões do acontecimento e depois cada um decide como entender.

Beijinhos e bom fim-de-semana.

Gi disse...

Obrigada por este debate. As notícias contraditórias sobre o Natividad também, na época em que me chegaram, me deixaram perplexa.
Também assinei a petição (provavelmente a única petição online que assinei).

É possível (oxalá) que o cão tenha sido alimentado e tenha sobrevivido, mas alguém lhe pediu autorização para o usar na exposição?

Voltamos à história das touradas: não duvido que seja necessária coragem e arte para enfrentar o touro, mas o toureiro é contratado para isso, e ninguém pergunta ao touro se quer participar.

Um abraço a todos.

Gi disse...

Mad, sequestrar o dito cabrão e (...) matá-lo à fome, à sede, e, já agora, ao pontapé nos tomates tornava-a igual a ele... Mas dar-lhe umas bengaladas no calor da ira não me parece mal :-)

Carla disse...

Também já tinha assinado... mas possa... não consigo deixar de ficar chocada... como diz o meu namorado "um cato pelo cu acima era pc"...

Mad disse...

Patti,
Já li os dois textos outra vez e volto à mesma: não sei que pense.

Também para mim faz todo o sentido o que tu escreveste: Se o cão estivesse mesmo a morrer à fome perante os nossos olhos, de certeza que haveria alguém, no meio de tanta gente a revoltar-se, da mesma maneira que agora toda a gente se indigna e assina a petição. Também me parece improvável que ninguém tivesse feito nada.

Mas... e o que diz a Angelblue? E o link do Diário de Notícias deixado ali em cima pelo Van Dog (e o DN não é propriamente o Tal & Qual...), que confirma esta história?

Volto a dizer, não sei que pense. Há também a frase da Alexandra: Não sei se é verdadeira ou falsa mas só a ideia de apassar como verdadeira já me arrepia. E nestes casos, antes reagir a mais do que a menos, penso eu.

Gosto de te ver comentar aqui :)))


Gi,
Pronto, tiro a parte de o matar à fome e à sede. Mas das biqueiradas não se livrava.


Beijos aos outros.

Mad disse...

E beijos às novas comentadoras, sejam bem-vindas!

Celeste disse...

Quando os direitos humanos são esquecidos, que diremos dos dos animais...

Beiji**
PS: Eu assinei. Outra vez! :)