setembro 15, 2007

O melhor lugar do mundo


Como alguns dos grandes prazeres que tive na vida, este aprendi-o tarde: fiz o meu primeiro mergulho com garrafas quando tinha 34 anos. Tive imensa sorte: aprendi com um dos melhores professores de scuba diving do mundo – aluno de Jacques Cousteau, de cujo nome impronunciável não me consigo lembrar, e por curiosidade irmão do ministro das finanças do governo vigente na altura – e nas Maldivas, cujo fundo do mar é absurdamente lindo.

Sem sombra de dúvida, foram as minhas melhores férias de sempre, e por várias razões: comprámos 1 semana de férias e acabámos por conseguir mais 2 de graça (lembram-se do escândalo da Luxor?); estive 22 gloriosos dias nas Maldivas, hospedada num bungalow de sonho, num hotel de 5 estrelas com tudo pago, numa ilha daquelas de postal, a que dávamos a volta a pé em menos de meia hora, com um passeio de cortesia de hidroavião incluído, sobrevoando aqueles atóis de mais de 150 tons de azul-turquesa e outros tantos de verde; e fiz, em média, três mergulhos por dia – melhor é impossível!

Mais tarde mergulhei em Cozumel, no México, que é considerado um dos melhores cenários submarinos do mundo, e eu achei tão, mas tão pobrezinho... Infelizmente, as cerca de 500 fotografias subaquáticas que tirei foram perdidas quando o meu anterior PC se espatifou no chão... talvez um dia destes tenha paciência para digitalizar as várias que tenho em papel.

O curso que tirei, o de Open Water, só me dá licença para mergulhar a 18 metros (o Diogo tem o PADI Dive Master, que dá até 40m), mas eu fui a 34... , como comprova o meu computador de mergulho, comprado lá tax free, e foi por um triz que não apanhei um estalo bem merecido do meu ilustre professor, debaixo de água e tudo.

Mergulhar é uma delícia. Alguém me disse uma vez que achava que teria uma sensação de claustrofobia com toda aquela água em cima, mas eu senti exactamente o contrário: foi a sensação mais parecida com voar que tive até hoje. A liberdade de movimentos é total e o todo o peso do corpo e do equipamento desaparece assim que se entra na água.

Mergulhar nas Maldivas, onde a visibilidade chega facilmente a 40 ou 50 metros, é o sonho de qualquer mergulhador. Lá embaixo, o único barulho que se ouve é o das bolhas de ar. E as cores são irreais, de tão saturadas. Parece outro mundo, povoado por jaqrdins de corais esculturais e peixes tão coloridos que parecem pintados à mão. E depois há as tartarugas, que deixam que brinquemos com elas, e os tubarões, imponentes. Um dia fizemos um mergulho especial só para os ver e garanto que não é uma aventura para toda a gente. O mergulho era de 20 metros, e ainda íamos a menos de 5 quando os começámos a ver, no fundo, às dezenas. Logo ali metade do grupo desistiu e voltou para o barco, mas nós continuámos, partindo do princípio que, se fosse assim tão perigoso, não deixariam turistas fazê-lo; além disso, das 3000 espécies de tubarões que existem, só umas 20 é que são realmente perigosas. As indicações que tínhamos eram para nadar devagar, não fazer movimentos bruscos, nem pensar em tirar fotografias por causa do flash e manter a calma acima de tudo. Foi absolutamente fantástico. Nadámos com mais de 50 tubarões, alguns de mais de dois metros, a maioria deles deitados no fundo (nem todas as espécies têm que nadar continuamente) mas alguns à nossa volta, com curiosidade (e não fome, espero eu!), sem nunca se aproximarem muito. Foi de tirar o fôlego.

Depois de 3 semanas a fazer pelo menos dois mergulhos por dia e de vez em quando mais um à noite, houve uns que ficaram memoráveis. O dos tubarões, pela adrenalina, é um; outro foi o meu primeiro mergulho nocturno, em que apesar de só termos descido a 9 metros parecia que estávamos num poço, tal era o breu. Vi mais de 100 lagostas enormes ali mesmo à mão de semear e só me lembro do Diogo com ar de desespero total, como bom caçador submarino que é, a fazer caras de “mas não posso apanhar só umazinha?”.

2 comentários:

manuel teixeira disse...

Madalena, é esta uma sensação que infelizmente nunca experimentei. Nunca fui mais longe do que snorkling, mas talvez um dia ainda dê para experimentar antes do ultimo bafo...

Mad disse...

Pois devias. É absolutamente fantástico. Tenho imensas saudades de mergulhar.