Sem net. Sem televisão. Sem telefone. Só nós e esta natureza imensa que demora a sair das brumas de manhã, qual Avalon.
Mas arranja-se sempre um tempinho para pensar na vida. Nem que seja para fugir dela a sete pés.
fevereiro 14, 2012
dezembro 04, 2011
Caos inaceitável
Há pessoas que acham que por mais que façamos, fizemos sempre pouco, mal e fora de tempo. Que criticam tudo e todos e a toda a hora. Que são incapazes de nos apontar uma única qualidade, mas não se cansam de nos enumerar todos os nossos defeitos. Que acham que, como tudo na sua vida foi 'by-the-book' desde o dia em que nasceram, acham que a nossa, por ser diferente, é um caos inaceitável. Que, como estabeleceram objectivos de vida curtos e obtusos e os atingiram (claro), acham que o resto dos mortais não pode, e não deve, querer voar mais alto, ou mudar de ideias e de objectivos a meio do caminho. Que, como a sua casa, a sua roda de amigos, o seu peso, o seu cabelo, o seu carro, os seus filhos e até o seu cão são perfeitos, acham que os outros não podem ter outros gostos. Que, como acham que os outros estão em baixo, não acham nada melhor do que transformar isso numa nova missão, mas da maneira errada: criticando constantemente e dando ordens, cobrando sempre a ajuda que dão e dando aquilo que querem, nunca aquilo que lhes é pedido. Pior, não percebendo, por que ‘se esquecem’ de que já tiveram momentos menos bons, a ajuda que lhes foi dada nesses momentos. Ao mesmo tempo fazem acusações exactamente do contrário, quando aquilo que lhes demos foi exactamente aquilo de que mais precisaram, e toda a gente o percebeu menos eles. Ainda bem que sou como sou, este caos inaceitável.
Cortar o tempo
«Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante,
vai ser diferente.»
(Carlos Drummond de Andrade)
novembro 20, 2011
Uma semana?
São nove dias e oito noites, porra. Vá, com aviões saltam dois dias mas ficam as oito noites. E eu que só peço uma tarde. Sou tão Heidi às vezes.
novembro 19, 2011
Duas coisas que eu gostei tanto de ouvir hoje (not)
Apesar de serem do tipo de coisas que merecem ser passadas ao bronze na parede da minha sala, não estão à espera que eu as repita, pois não?…
Distância
não se mede em metros, mas em pensamentos. É uma corda invisível que se puxa de um lado conforme a saudade e se solta do outro conforme a vontade. É um jogo perigoso.
novembro 18, 2011
novembro 16, 2011
Alchool is a bitch
Tanto nos faz dizer coisas que não queremos a quem não queremos, como ainda por cima dizer tudo errado.
junho 25, 2011
Retrato da blogosfera
O mundo dos blogues não é, como se diz por aí, um retrato fiel do mundo fora do computador. É pior, muito pior. É um mundo onde há nicknames, avatares, identidades inventadas, máscaras, perigo, impunidade, anonimato. Onde pessoas habitualmente controladas pelos travões sociais podem esquecê-los e agir como se fossem donas do mundo. Com uma sensação enorme de poder. E muita covardia, claro, mas isso já se sabe.
É uma amostra não da vida real, com os seus filtros sociais, mas do que se passa na parte mais profunda da consciência individual. A pessoa por detrás do blogger, quer queiramos quer não, é muito pior do que o blogger. A coberto do anonimato, é capaz de actos e afirmações que nunca faria pessoalmente, seja por covardia, seja por medo de represálias, seja por que tem consciência de que a sua vingança é muito mais errada do que aquilo que a provocou.
Um sítio onde se ultrapassam todas as fronteiras da decência, todas as regras de conduta, onde se projectam rancores e ressabiamentos, fúrias e invejas disfarçadas, amores frustrados, onde, sem censura, se exerce a vingança suprema de atacar aquilo que é mais sagrado ao indivíduo: a sua vida privada.
A blogosfera é mais real que a própria realidade, por que um blogger se pode comportar como se fosse um líder maléfico de um império inventado onde reina em absoluto, onde tem poder total sobre a vida dos seus súbditos e dispõe dela como lhe apetece, para seu divertimento ou vingança. Tem liberdade, por ter impunidade (ou achar que a tem), para ofender, humilhar, enxovalhar, espezinhar, inventar, photoshopar fotografias, transformar meias verdades em mentiras rotundas, atacar, do alto da sua torre, a jugular do seu inimigo.
Não, não tenho saudades.