
É domingo*. E como todos os domingos,
no pasa nada aqui, além de ver televisão até os olhos doerem e de comer o que houver no frigorífico, nos dias em que o Cachucho não tem pachôrra para fazer uma churrascada. Nestes dias de pasmaceira lembro-me dos domingos de inverno em Lisboa, em que dormíamos até às onze, encomendávamos uma pizza gigante e uma coca-cola de 2 litros e vegetávamos o dia inteiro submersos em edredons em frente da televisão, a ver documentários do
National Geographic e a ouvir a chuva cair.
Agora é mais ou menos o mesmo, a não ser pelos edredons, completamente desnecessários, e pela pizza e a coca-cola, que, com grande desgosto, não posso encomendar, a não ser que viajem quase 1oo km de táxi.
Não que me apetecesse uma pizza. Eu, que sempre comi rigorosamente tudo o que punham à frente e a única coisa no mundo que não sou capaz de comer são miolos, hoje em dia estou um bocadito mais exigente. Acho que começaria por um creme de espinafres, seguido talvez de um
roastbeef cortado em fatias muito fininhas, acompanhado de umas cebolinhas bêbedas (receita de família, peçam à
Ana), de um arroz com passas e pinhões e de uma bela salada de rúcula e, para rematar em beleza, uns figos bem sumarentos e um suculento bolo de chocolate com
coulis de framboesa e meio kilo de natas ao lado. Tudo isto, claro está, regado com um alentejano macio. E no fim, a apoteose: um Nespresso. Nada de especial, como podem ver. E muito menos calórico.
Ai, ai...
* pelo menos era, quando eu escrevi isto.