agosto 23, 2007

Wilson, o duende


Pelas ruas de Parnaíba, à noite, aparecem as mais variadas criaturas, algumas tão reais que desejávamos que não o fossem, e outras imaginárias, saídas de alguma lenda celta, que não se percebe como nem porque aqui andam. Mas andam.

Wilson, um duende brasileiríssimo, ganha a vida a vender-se a si próprio – em miniatura. E safa-se bem, resultado do marketing inteligente que usa. As crianças ficam encantadas com ele. E mesmo sem ter crianças, é impossível não dar os 10 reais que ele pede por dois bonecos, que “o terceiro é de graça”, diz ele.

agosto 22, 2007

Get a life!!!

Olha, já passei dos 2000! Como é que é possível, não imagino. Mas que há uma porrada de gente sem nada que fazer, há.

(O título é só a brincar...)

agosto 13, 2007

Lobistas à brasileira

Genival Inácio da Silva – mais conhecido por Vává –, de 66 anos, ex-metalúrgico e funcionário público reformado, é o mais alegre e expansivo dos seis irmãos do presidente Lula. Há cerca de dois meses, Vává foi indiciado pela Polícia Federal com a acusação de “tráfico de influência no Executivo e de exploração de prestígio no Judiciário”, actuando em favor de um grupo que explorava ilegalmente máquinas caça-níqueis, contrabandeava componentes electrónicos contrafeitos e pagava subornos a polícias.

De acordo com a Polícia Federal, Vává, apanhado em flagrante em várias conversas telefónicas, pedia de 2.000 a 5.000 reais (de 800 a 2.000 euros) para abrir portas de gabinetes em Brasília, tentando facilitar o andamento de processos e agendar reuniões com parlamentares. Aliás, ele não gosta de perder tempo: nem dois meses depois de Lula ter sido eleito pela primeira vez, Vává tinha aberto uma empresa de “acessoria comercial”.

Mas poucas vezes teve sucesso. Segundo os federais, Vává prometia muito mais do que podia fazer e vendia o acesso a autoridades que não tinha, sem deixar de se cobrar por causa disso. Numa dessas visitas, um empresário começou a reclamar “O que a gente combinou é que eu ia ver o Lula!”, em voz suficientemente alta para ser ouvido nos corredores do palácio. A cena constrangedora durou até um acessor informar que o presidente talvez pudesse receber o empresário “noutra ocasião”. A coisa acalmou, mas o mal já estava feito: a cena foi gravada por um jornalista e foi parar à televisão. E Vává está preso.

E o mal parece ser de família: meses antes, Frei Chico, o outro irmão de Lula, tentara fazer o mesmo, visitando ministérios acompanhado de vários empresários.


(Fonte: Época)

E você? Já poluiu hoje?

“Uma verdade inconveniente”, o documentário produzido por Al Gore em 2006, foi o principal responsável pela mudança radical do clima político da história recente. O seu argumento central é que a vontade política é, em democracia, um recurso renovável. Daí para a conversa das ruas, foi um pulo. Assistimos hoje à consciência generalizada de que devemos cuidar do planeta, e rapidamente, ou corremos o risco de não deixar nada em herança às próximas gerações.

Do instante em que acordamos até à hora de ir para a cama – e até enquanto dormimos –, todas as nossas actividades têm impacto directo sobre o meio-ambiente. Apesar de não ser humanamente possível não poluir – para isso basta respirar... – o primeiro passo para minimizar as consequências das nossas acções é ter consciência delas, o que nem sempre acontece. O segundo é achar alternativas que possam ser eficazes para algumas dessas acções.

A Time Magazine brasileira fez uma reportagem muito interessante, cobrindo a rotina diária de uma dentista de 36 anos de São Paulo, com o objectivo de mostrar de uma forma simples como até as acções mais corriqueiras do dia-a-dia dos 6,5 bilhões de habitantes do nosso planeta deixam as suas marcas, às vezes profundas, no meio-ambiente, e sugerir algumas acções correctivas. Eis a reportagem resumida:

6:30 – Isabel acende as luzes da casa-de-banho, toma banho e escova os dentes. A energia consumida veio provavelmente de uma barragem, cuja construção causou a desmatação de áreas extensas, matando plantas e animais. Os 15 minutos do seu banho significaram cerca de 170 litros de água pelo ralo abaixo, o suficiente para matar a sede de 85 pessoas num dia. Matérias-primas, água e energia foram usadas para produzir a escova e a pasta de dentes, e as pilhas da escova eléctrica usam metais que podem contaminar o solo e o lençol freático, por isso devem ser deitadas fora apenas em sítios apropriados.

7:00 – A dentista veste roupa de algodão e fibras. Produzi-las emite gás causador do efeito de estufa. Sai do seu apartamento rumo ao seu consultório, a 8 quilómetros dali, e vai no seu carro. Mas usar um transporte colectivo emite dez vezes menos gás do que andar de carro sozinha. Ela podia ter optado por um carro a álcool, já que o gás carbónico gerado pela queima do etanol é reabsorvido pela cana-de-açúcar, planta da qual ele é produzido.

8:00 – Já no consultório, Isabel fala ao telemóvel e trabalha no laptop, sem imaginar que, para chegarem às suas mãos, esses equipamentos podem ter desalojado gorilas em África. A columbina-tantalita, minério usado para fabricar os dispositivos que controlam o armazenamento de energia dos aparelhos, é encontrada na República Democrática do Congo, e o World Watch Institute aponta a sua extracção ilegal como uma das principais causas da destruição das florestas onde vivem os gorilas.

11:30 – Antes do almoço, Isabel vai até ao ginásio. Lá, compra uma garrafa de água mineral, sem se lembrar que o seu transporte da fonte para os centros urbanos gasta combustível e que a produção de 1 milhão de toneladas de garrafas plásticas emite 732.000 toneladas de gás poluente responsável pelo aquecimento global. Além disso, o plástico leva 400 anos para se decompor.

12:00 – Hora do almoço. A primeira garfada já é um pesadelo para os defensores do meio-ambiente: palmito. A sua extracção intensiva coloca em risco a sobrevivência da palmeira, pois cada planta dá apenas um palmito, que causa a morte da planta ao ser extraído.

18:00 – 8 quilómetros e 10 litros de gás carbónico depois, Isabel estaciona o carro na garagem. Antes do jantar, separa o lixo reciclável, mas ela é uma excepção: boa parte do lixo no país não é separada nem reciclada. Um desperdício de recursos, considerando que 30% dos resíduos poderiam ser reciclados.

22:00 – Antes de se deitar, vê televisão. Como todos os seus aparelhos electrónicos estão sempre em stand-by e não desligados da tomada, além de responderem por cerca de 15% da sua conta mensal, a energia que consomem quando não estão a ser usados é completamente desperdiçada.

(fonte: Time Magazine)


Aqui no mato onde vivo, das poucas coisas que posso fazer é composto natural com lixo orgânico – que faço –, mas ainda sonho em ter colecta de lixo a menos de 30 kilómetros de casa. Quanto à sua reciclagem, talvez um dia. Deixo aqui o meu humilde contributo.

Projecto Mar Sem Fim

Há dois anos, o jornalista João Lara Mesquita velejou por toda a costa brasileira com o objectivo de fazer um levantamento exaustivo dos principais problemas ambientais dos quase 12.000 km da costa brasileira. O projecto Mar Sem Fim deu origem a uma série de programas na televisão brasileira e a um livro, a lançar brevemente. Eis alguns números preocupantes revelados por ele:

- A segunda maior fonte de poluição mundial é a industrial. A primeira é o esgoto doméstico e urbano.
- Apenas 20% de todo o esgoto doméstico recebe algum tipo de tratamento. O restante (cerca de dois milhões de toneladas por dia) vai parar ao mar.
- O contrabando de peixes ornamentais e animais silvestres é um problema sério na região Norte. 10% dos 38 milhões de animais retirados anualmente das florestas saem do Brasil.
- Só nos últimos 40 anos, a Amazónia perdeu 15% do seu tamanho original.
- Para cada árvore que chega às serrações, 27 caem inutilmente. E quando são beneficiadas, apenas dois terços da madeira são aproveitados.
- O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente) tem pouco mais de 600 fiscais para tomar conta de toda a região amazónica – que, no entanto, representa 61% do território brasileiro.
- Numa praia de Alagoas, a sede do IBAMA fica na mesma praia onde barcos camaroeiros passam redes de arrasto, que levam junto as tartarugas, devolvidas ao mar quase sempre mortas.
- As águas dos tanques de lastro dos navios estão a provocar bioinvasão. Calcula-se que anualmente 7 mil espécies são transportadas neles de um lado para o outro do planeta.
- 23% da área terrestre brasileira é protegida com algum tipo de reserva, contra menos de 1% das águas territoriais. No mundo inteiro, menos de 0,5% dos oceanos estão protegidos.
- No Ceará, a pesca da lagosta caiu 70% nos últimos 10 anos.
- A pesca de arrasto é a mais danosa ao meio-ambiente: para cada 10 kg de camarão pescado, 8 kg de fauna extra é capturada e deitada fora, quase sempre morta.
- A partir de 2050, as populações de peixes e moluscos entrarão em colapso, caso a tendência de pesca e destruição de habitats continue no ritmo actual.
- 80% do petróleo que vaza para os oceanos sai dos escapes dos automóveis e, em forma de chuva, cai no mar.
- Em menos de 15 anos, dobrou o número de zonas mortas nos mares do planeta por insuficiência de oxigénio. Já são mais de 150.

No entanto, nem tudo está perdido. Eis alguns exemplos a seguir:

- Na Paraíba, a orla marítima foi preservada da especulação imobiliária que assola todo o litoral brasileiro.
- Em Fernando de Noronha, é cobrada uma taxa diária que paga, entre outras coisas, a colecta de lixo a domicílio e o seu transporte de navio para o continente.
- A Ilha do Caju, no Delta do Parnaíba entre o Piauí e o Maranhão (mesmo aqui à porta!) tem-se mantido praticamente virgem, graças a uma política rígida de preservavação dos seus donos.
- Na Ilha de Boipeba, na Bahia, as pousadas ficam atrás da primeira fila de coqueiros, ainda que na beira da praia, preservando a paisagem natural.
- Criado em 1980 para proteger as 5 espécies de tartarugas que habitam o usam brasileiro, o Projecto Tamar só merece elogios. Actualmente, abrange cerca de 1.000 km de praias ao longo de 8 estados.


(fonte: Náutica)

Negócios da China... aqui no Brasil

M. (vamos chamar-lhe assim) foi meu colega de liceu. Casou-se com uma pequena bonita lá da terra, teve o casal de rebentos da praxe e, à custa de muito suor e lágrimas (segundo ele), lá foi construindo o seu pézinho de meia. Os filhos, já grandes, são bons alunos, a miúda a fazer-se à faculdade (caso inédito na família), o miúdo convidado pelo Sporting a ingressar no plantel de esperanças (é assim que lhes chamam?), a empresa de comércio de pescados a dar os seus frutos – já tinham cada um o seu carrito, ele um Mercedes, ela uma carrinha, telemóveis topo de gama, televisão digital, etc – , ele tratava dos clientes e das entregas, ela da papelada. E a coisa ia andando.

Até que decidiu expandir os seus negócios, ouviu dizer que era bom investir no Brasil e por cá apareceu, pelas bandas de Fortaleza, com recomendações para falar com “o maior armador do Nordeste”, um português, vamos chamar-lhe A., estabelecido em Camocim, grande (?!) porto de pesca no litoral do Ceará.

Ora, no dia em que o M. era esperado com pompa e circunstância, recomendado ao A. como “o maior comerciante de pescados de Lisboa e Vale do Tejo”, estávamos nós a preparar-nos para almoçar com ele, A., o tal “grande armador”, precisamente em Camocim. Há semanas que o ouvíamos falar daquele portento do comércio de pescados, secreta esperança para alavancar o seu próprio negócio, em sérios riscos de afundar (passe a ironia barata, mas irresistível).

E, qual não é o meu espanto, vejo a uma mesa o M. Olhámo-nos, primeiro com um vago reconhecimento (Eu conheço este de algum lado...), depois com incredulidade (Não pode ser!), e depois com um muito mal disfarçado incómodo (Será que ainda estou a tempo de disfarçar? Não. Vou ter que falar. Que seca.) – Mas o que é que tu estás aqui a fazer?!!! – enfim, o teatro costumeiro...

Entretanto, o A. mirava-nos como se fôssemos ET’s, raciocinando a todo o vapor – dava para ver o fumo a sair-lhe das orelhas – Conhecem-se bem. Isto pode ser bom e pode ser mau. Se ela fala, tou lixado. Por outro lado, ela pode dizer-me tim-tim por tim-tim quem ele é. Mas se ele conta metade da imagem que eu passei daqui, tou f...

Para resumir a novela, abstive-me de fazer comentários a qualquer um deles. Reclinei-me, apreciando o sempre interessante espectáculo de dois aldrabões de feira a enganarem-se um ao outro. Mereciam-se. Ficaram amigos do peito, como não poderia deixar de ser: pássaros da mesma plumagem reconhecem-se logo. E era vê-los, ridiculamente armados em teenagers, a pavonear-se pela beira-mar ataviados à moda: t-shirt justa cingindo a barriguinha típica de quarentões bem de vida, ténis prateados e bermuda pelo meio da canela, que lhes valorizava tanto o metro e sessenta e cinco de altura...

Quem ganhou o campeonato das aldrabices, ainda estou para saber. Parece-me que nenhum deles. O A. voltou a Portugal, onde consta ter um empregozito nada condizente com a grande frota de pesqueiros de que se intitulava “dono”, mas que nunca foram dele: eram alugados e ele não pagou sequer o primeiro mês de aluguer, assim como não pagou nunca o armazém, a fábrica, os dois jipões topo de gama, a renda da casa, as contas atrasadas de vários restaurantes e do supermercado, os fornecedores e, até, os salários, os impostos e a segurança social dos duzentos empregados.

Quanto ao M., pelo menos foi esperto o suficiente para não se fazer sócio do A., pelo menos no papel. Ainda vive em Camocim. Usufruiu, enquanto não lhos tiraram, da casa, dos jipes e do crédito nos restaurantes, e actualmente namora uma brasileirinha feiota, mas endinheirada e supostamente de boas famílias, cuja mãe, para mal dos seus pecados, não vai em cantigas e exigiu ao pretendente, como condição sine qua non para o casamento, provas cabais da grande fortuna que ele (ainda) alardeia ter em Portugal.

Quem perdeu mais nesta história foi a desgraçada da mulher do M., que ainda hoje, meses depois do marido ter largado Portugal de vez com todo o dinheiro que havia nas contas pessoais e da empresa (disse-me ela que nem a conta do telemóvel ele pagou, e era pra mais de mil contos!), trabalha doze horas por dia a servir à mesa num restaurante para pagar a hipoteca da casa onde mora, feita sem o seu conhecimento, as contas da faculdade da filha, da academia do filho e das dívidas ao IRC, que a carrinha e o Mercedes já foram retomados há muito por falta de pagamento...

Os seus dias

Os seus dias são apenas uma sucessão de amanhã saberei, ou para o mês que vem isto vai-se resolver. Parece que nada do que fez nos últimos tempos contribuiu de algum modo para os próximos 20 anos da sua vida. Dá a impressão de que o decorrer do seu futuro está nas mãos de algum poder superior – de quem não admitirá a existência nunca – mas que parece controlar a sua vida como uma corrente inexorável que a conduz a um porto não sonhado e muito menos desejado, apesar de por vezes demais reconhecido em pesadelos.

O que é isto? Tem saudades de coisas ridículas, de que nunca tinha tomado conhecimento sequer da existência, quanto mais da importância. O cheiro da terra molhada no Outono e do ar poluído da cidade no Inverno, o barulho do mar no Levante e do trânsito de Lisboa à hora de ponta, o silêncio da Foz nas noites de semana. A frenética correria das pessoas voltando a casa depois de um dia de trabalho, a pachorrice dos alentejanos no Verão, a beleza das noites estreladas do seu Ribatejo e a sofreguidão de contacto humano dos que invadem o Bairro Alto nas sextas-feiras de Agosto.

De tudo isto sente falta ao mesmo tempo, de tudo isto tem saudades, umas saudades enormes, vorazes, que dão a sensação de a consumir como uma droga.

agosto 05, 2007

Meu Ébano, por Alcione

Uma música que é uma delícia. E a voz dela é um portento.

agosto 03, 2007

Prémio Pulitzer Revelação, atribuído pelo blog Porta do Vento

Estou tão emocionada... (sorrio e faço uma vénia). Nem nos meus sonhos mais fantásticos me passou pela cabeça que um dia ganhava o Pulitzer, ainda que seja o Revelação!!!!! E com um blog! Por isso não tinha nada preparado, isto (e saco do bolso 12 folhas A4 escritas de ambos os lados) são só uns rabiscos que fiz ali a correr nos bastidores. Agradeço à minha família, que sempre acreditou em mim e blá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá bláblá blá blá bláblá blá blá blá

E blá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá bláblá blá blá blá.

Muito obrigada (e retiro-me, o mais graciosamente que consigo, no meio de roncos generalizados e desviando-me oportunamente de alguns tomates atirados da platéia...).

Luxo asiático

Estou aqui sózinha, numa esplanada à beira-rio. São dez da noite, o Diogo não aguentou e foi-se deitar de puro cansaço (levantámo-nos às quatro da manhã). Eu, que costumo ter a primeira crise de sono às sete da tarde, já sei que só vou ter a segunda por volta da uma da manhã.

Por milagre, como alternativa ao habitual forró, estou a ouvir, de um carro estacionado mais à frente, daqueles com colunas de som tão, mas TÃO grandes que vêm num atrelado, uma delícia de umas musiquinhas antigas, tipo Feelings, Massachussets, Have you have seen the rain, 28 degrées à l’ombre (lembram-se?, “je vais et je viens, entre tes reins, je vais et je viens, entre tes reins, et je me retien”), Imagine (aqui perdido no meio...), Love hurts, até Ne me quitte pas, do Brel, eu ouvi à bocadinho, por incrível que pareça!

E sorrio de puro êxtase, porque isto é um luxo. Não ouvir eu quero é tchi amaaaaaaar! aos gritos, é – sublinho – um luxo asiático, a saborear despudoradamente e com os cantos da boca bem virados para cima. Ligo o PC e, instantaneamente, consigo que a esplanada inteirinha se ponha a mirar-me como se eu fosse o ET... – ai, que estranho!, uma muié sóizinha, que não está no engate e que não liga pêva ao que se passa à sua volta...

Mãe do céu!, como é que se explica o fascínio internacional pelas brasileiras?!!! – Elas estão 50 anos à frente das portuguesas em sexo – tentou explicar um tuga de Biana que eu conheci há séculos. – É a única coisa que elas têm, claro que têm que fazer uso dele; é como os chineses com o arroz: que remédio... – respondeu a minha irmã e madrinha ao cubo*, rápida e cortante como só ela sabe ser... e depois sou eu que disparo tiros de caçadeira à mínima provocação da metade acéfala** do planeta!

Ah!, pronto, já voltámos ao a gentchi luta a gentchi briga mais a gentchi si amaaaaaaaaaa, não faço nada sem vocêeeeeee, eu quero mesmo é tchi amaaaaaaaaaaar, eu vô morrê si não tchi viiiiiiiiii, você é queeeeeentchi djimaaaaaaais, e eu (claro!) vou morrêeeeee e parar de escrevêeeeeee e de vivêeeeee..................... se este filho da mãe não se calar imediatamente! Aaaaaaaargh!!!!! Vou-me mas é deitar, antes que me dê a vontade de me atirar ao rio.

FUI! (como diria o Cachucho se ainda cá estivesse).


* madrinha ao cubo, e só por enquanto; já é de baptizado, de casamento e de divórcio, e que remédio tem ela de o vir a ser de todos os filhos que eu tenha.
** quando se fala de gajas...