
Quando li o livro chorei a rir. Marley, o "pior cão do mundo", agora tem um filme. Vou ver assim que sair. O trailer está aqui.
Mas arranja-se sempre um tempinho para pensar na vida. Nem que seja para fugir dela a sete pés.

Um convite para uma almoçarada (que começou ontem à noite e deve acabar lá para amanhã à noitinha, tipo casamento de ciganos) a que me apetecia imenso ir, não fosse o temporal e ser no Alentejo; um convite para jantar a que me apetecia imenso ir, não fosse o temporal e ser em Lisboa. Náááá... hoje é mesmo sopas e descanso, enrodilhada à lareira (que está armada em parva, por sinal, deve ser o vento) mais o meu Batata, que o Diogo estava com bicho-carpinteiro e foi-me prás compras pró Campera num sábado de fim de mês, imagine-se! É doido varrido.
... umas vezes mal, outras bem. No sábado passado vieram cá almoçar os meus cunhados de Oeiras e uns amigos, almoço combinado à última da hora porque houve abespinhanço (eh eh eh) da parte da cunhada mais velha por ainda não ter sido convidada para cá vir.É a coisa mais engraçada que eu vi na vida. O mais meigo, o mais brincalhão, o mais palhaço. Mimado até ao tutano. Comecei a adorá-lo pelo telefone ainda antes de o conhecer, tinha palmo e meio de comprimento, e tive de o mandar buscar logo, sem esperar a data previamente acertada, tal foi a pressa para lhe ver a expressão. Chegou a rir, com aquela cara preta e bem disposta, os olhos vivos e brilhantes, o nariz eternamente molhado e a língua cor-de-rosa sempre de banda. Peguei nele ao colo e deu-me imediatamente cem beijos seguidos - reconhecimento filial... - e mais daria, se o pai não ficasse com inveja e não o tivesse roubado para ter o seu quinhão. Logo na primeira noite, dormiu a sono solto sem incomodar ninguém, dentro de um caixote ao lado da nossa cama, enrolado a princípio numa t-shirt minha que largou rapidamente - é calorento desde pequenino. E incomodar para quê? Sabia que tinha chegado a casa.
Ninguém diria, com tanto pulo e tanta alegria, mas já era doente. Tinha as pernocas de trás fraquinhas, pouco tempo depois descobrimos que tinha uma displasia das mais graves. Mesmo antes de começar os remédios diários (que ainda hoje toma e que engole como se fossem chocolates), raramente se queixava. Teve algumas dores enquanto crescia - porque cresceu à velocidade do som - mas que graças aos deuses lhe passaram quando atingiu o tamanho máximo, 60 kilos, mais coisa menos coisa, que isto de tentar pesar um bicho deste tamanho (e com este feitio) é quase impossível. Não que a displasia o tivesse atrapalhado nos meses seguintes, nos mergulhos no canal (nadar era o melhor desporto para ele e o pai nadava com ele religiosamente duas vezes por dia), nos passeios diários aos viveiros e nas perseguições incansáveis a tudo o que mexesse à volta da casa.
Feito de mel e açúcar quanto estava conosco - sempre a tentar subir para o nosso colo (olha quem, que pesava quase o mesmo que o pai) e para os sofás, onde se sentava a ver televisão com o rabo assente nas almofadas e as patas da frente no chão, como se fosse uma pessoa - era obviamente péssimo guarda. Valia-nos o aspecto dele, grande, preto e feio, nos dizeres dos vizinhos, que morriam de medo dele. Graças a ele e aos manos, não fomos assaltados em oito anos, e não me lembro de fechar alguma vez as janelas, quanto mais as portas.
Enfim, com as avarias que conhecem, chegou a Portugal há pouco mais de dois meses e meio. Gosta tanto de frio - está, porque quer, sempre na rua ou na corrente de ar (na tal porta do páteo de trás), que não sei como aguentou o clima tropical por dois anos. Verdade seja dita, um dos seus lugares preferidos na casa brasileira era o meu chuveiro de chão de pedra. Caiu (deixaram-no cair, os filhos da puta) da rampa do avião, assustou metade do pessoal da TAP, ou lá o que é (e devia ter mordido uns quantos), e adaptou-se às mil maravilhas ao clima do Ribatejo, à mudança repentina de temperatura (que a mim me lixou as costas, mas a ele deliciou-o), aos vizinhos (que se derretiam com a meiguice de uma besta deste tamanho), à família (lambeu tudo o que era primo/a - tenho oito sobrinhos - e tio/a - são quatro locais), às escadas (coisa que nunca tinha visto na vida), à Fum, a cadela que era da minha Mãe e agora é da minha irmã, por quem se apaixonou à primeira vista, etc, etc, etc. Até lambeu o veterinário, que hoje lhe proferiu a sentença de morte.
Sim, que o meu mais novo, o Batata (Táta, Tatinha, Táta Fita, Bébé, Bécos, Béquinhos, Caganita Dum Cão) morre provavelmente segunda-feira. E eu não consigo parar de chorar.






Esta é uma técnica muito rápida. Para aqueles momentos em que quer surpreendê-la com um toque de satisfação e felicidade.
Cuidado: colocar em prática esta técnica pode levar a sua companheira a um tal estado de sublimação que será difícil depois acalmá-la, podendo causar riscos irreversíveis à saúde. Leva algum tempo para aperfeiçoar. Empenhe-se com afinco. Experimente sozinho algumas vezes durante a semana e tente surpreendê-la numa sexta-feira à noite. Funciona melhor se ela trabalha até tarde, ou não tem hora certa de saída do emprego e chega cansada a casa.
Recebido por email.

PS - Depois segue a facturinha, sim?
Portanto, não morro desta, mas é melhor pôr-me a pau.
PS - Alf, ou davas para médico ou sofres do mesmo.
Nota mental: lembrar-me de comprar James Martins para dar ao médico no Natal, o que provavelmente me vai sair mais caro que a consulta...
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Descobri a Ana Oliveira por acaso, há uns tempos, no seu blog Ilustrana. Faz ilustrações, aguarelas e desenhos vários, todos lindos. Quase no Natal, e quase a entrar em parafuso com dezenas de presentes para comprar, acho que a maioria vai vir dela. Visitem-na. Vale a pena. Ou vão vê-la ao vivo e a cores à Feira da Estrela, no primeiro fim-de-semana de cada mês (é melhor confirmar).
PS - Para cúmulo, além de desenhar como se vê, ela também escreve bem.
... estou um nico melhor.