maio 28, 2008

Abalone













A minha paixão por coisas bonitas, de preferência saídas directamente das profundezas do oceano. A Natureza no seu melhor.


maio 26, 2008

Aniversários

Este blogue fez um ano no passado dia 11. Não me lembrei. Ou melhor, lembrei-me antes de acontecer e depois de ter acontecido. O nosso cérebro tem destas coisas.

Tive mais um aniversário para celebrar este mês. E, na minha cabeça, estes dois factos - um bom, outro péssimo - estarão sempre ligados. Do aniversário do dia 20 não consegui não me lembrar. E bem tentei.

Não gosto de Maio.

Olá, meu povo

Já sei, estou armada em mete-nojo porque (tenho a mania que) tenho mais que fazer. E tenho. Tenho que fazer planos. Tenho que pensar e organizar (aaaargh!) o meu futuro. O meu futuro próximo, a bem dizer, que o outro - o longínquo - a Deus pertence.

Há caixotes para encher, 24 copos de pé de piquinhos de todas as cores da Marinha Grande para despachar, livros para condenar ao abandono de uma existência sem história (nem consulta!) na escola local - o que eu pagava para ver os nativos a ler Catherine Millet! -, outros para embalar, algumas (poucas) roupas, alguns (muitos) chinelos, mais ou menos 3 milhões de fotografias, 3 máquinas fotográficas (a boa já descansa em Portugal a esta hora), quadros que ainda têm de ser desarmados, cadernos de todas as cores e feitios cheios de rabiscos... e pouco mais.

E um jardim verde-verde-verde. E uma mesa que pesa mais de 200 kg e que vai ter de ficar, o que me parte o coração...

maio 07, 2008

Música

Há pessoas para quem a música é para ouvir. Só. Que conseguem dissertar e teorizar sobre ela, descrevê-la, analisá-la.

Eu não consigo. Só a consigo sentir, ouvir e principalmente dançá-la. Eu ADORO dançá-la. E tenho umas saudades enormes de dançar. De entrar numa pista e de me mexer* de olhos fechados até parar de exaustão ou, como aconteceu na maioria das vezes, as luzes se desligarem e me dizerem vá, amanhã há mais. Nem sequer me lembro da última vez que isso aconteceu. Deve ter sido há anos, esquisita como eu sou em termos de música. Talvez no Green Hill, no 2001 ou no Túnel, ou algures no Bairro Alto.
Quando eu digo dançar, quero dizer dançar. DANÇAR. Não é fazer teatro para inglês ver. É fechar os olhos e IR. Viajar pelos sentidos, pelo tempo, pela memória guardada, pelos sonhos futuros, pelos desgostos passados, pelos amores vividos, pelas paixões experimentadas, pelos orgasmos da vida, sejam eles literais ou não. Música, para mim, é dançar. E dançar é ouvir + sentir + exprimir através do corpo (e, por amor de Deus, é quase melhor que sexo). Se se souber a letra de cor, melhor - ou seja, o que eu acabei de dizer “ao quadrado”.

E acontece com várias músicas de que me lembro: Black Velvet da Allanah Miles, Urgent dos Foreigner, Baby I Love You dos Ramones, Another Brick In The Wall (e mais umas mil, ou seja, todas) dos Pink Floyd, Black Magic Woman (e mais umas mil, ou seja, todas) do Carlos Santana, Smoke On The Water dos Deep Purple, Once Upon A Time In The West (e mais umas mil, ou seja, todas) dos Dire Straits, You Can Leave Your Hat On (e mais umas mil, ou seja, todas) do Joe Cocker, Cose Della Vita do Eros Ramazotti, Eyes Without A Face do Billy Idol, Sexy Motherfucker e Time do Prince, Cocaine do J. J. Cale / Eric Clapton (e mais umas mil, ou seja, todas), Mamma dos Genesis (e mais umas mil, ou seja, todas), etc, etc, etc, ………...…….

Trouxe dois iPod’s. Um de 80 GB para o Diogo e um de 2 GB para mim. O meu não chega, claro (daaaaaaah!). Adiante. Mas agora danço em casa (eu e o Diogo não nos entendemos em termos de música) desde que tenho “o” iPod. O Diogo dorme e eu danço. DANÇO.


* Que verbo pobre...

maio 06, 2008

Minha Pátria é a Língua Portuguesa


MANIFESTO
EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA
CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO

(Ao abrigo do disposto nos Artigos n.os 52.º da Constituição da República Portuguesa, 247.º a 249.º do Regimento da Assembleia da República, 1.º n.º 1, 2.º n.º 1, 4.º, 5.º, 6.º e seguintes da Lei que regula o exercício do Direito de Petição)
Ex.mo Senhor Presidente da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro
1 – O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável, porque fere irremediavelmente a nossa identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros. Por culpa dos que a falam e escrevem, em particular os meios de comunicação social; mas ao Estado incumbem as maiores responsabilidades porque desagregou o sistema educacional, hoje sem qualidade, nomeadamente impondo programas da disciplina de Português nos graus básico e secundário sem valor científico nem pedagógico e desprezando o valor da História.
Se queremos um Portugal condigno no difícil mundo de hoje, impõe-se que para o seu desenvolvimento sob todos os aspectos se ponha termo a esta situação com a maior urgência e lucidez.

2 – A agravar esta situação, sob o falso pretexto pedagógico de que a simplificação e uniformização linguística favoreceriam o combate ao analfabetismo (o que é historicamente errado) e estreitariam os laços culturais (nada o demonstra), lançou-se o chamado Acordo Ortográfico, pretendendo impor uma reforma da maneira de escrever mal concebida, desconchavada, sem critério de rigor, e nas suas prescrições atentatória da essência da língua e do nosso modelo de cultura. Reforma não só desnecessária mas perniciosa e de custos financeiros não calculados. Quando o que se impunha era recompor essa herança e enriquecê-la, atendendo ao princípio da diversidade, um dos vectores da União Europeia.
Lamenta-se que as entidades que assim se arrogam autoridade para manipular a língua (sem que para tal gozem de legitimidade ou tenham competência) não tenham ponderado cuidadosamente os pareceres científicos e técnicos, como, por exemplo, o do Prof. Doutor Óscar Lopes, e avancem atabalhoadamente sem consultar escritores, cientistas, historiadores e organizações de criação cultural e investigação científica. Não há uma instituição única que possa substituir-se a toda esta comunidade, e só ampla discussão pública poderia justificar a aprovação de orientações a sugerir aos povos de língua portuguesa.
3 – O Ministério da Educação, porque organiza os diferentes graus de ensino, adopta programas das matérias, forma os professores, não pode limitar-se a aceitar injunções sem legitimidade, baseadas em "acordos" mais do que contestáveis. Tem de assumir uma posição clara de respeito pelas correntes de pensamento que representam a continuidade de um património de tanto valor e para ele contribuam com o progresso da língua dentro dos padrões da lógica, da instrumentalidade e do bom gosto. Sem delongas deve repor o estudo da literatura portuguesa na sua dignidade formativa.
O Ministério da Cultura pode facilitar os encontros de escritores, linguistas, historiadores e outros criadores de cultura, e o trabalho de reflexão crítica e construtiva no sentido da maior eficácia instrumental e do aperfeiçoamento formal.
4 – O texto do chamado Acordo sofre de inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades – não tem condições para servir de base a qualquer proposta normativa.
É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes "mudas" – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras.
Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão.Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa.A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).

Recusamos deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania.
Os signatários,
Ana Isabel Buescu
António Emiliano
António Lobo Xavier
Eduardo Lourenço
Helena Buescu
Jorge Morais Barbosa
José Pacheco Pereira
José da Silva Peneda
Laura Bulger
Luís Fagundes Duarte
Maria Alzira Seixo
Mário Cláudio
Miguel Veiga
Paulo Teixeira Pinto
Raul Miguel Rosado Fernandes
Vasco Graça Moura
Vítor Manuel Aguiar e Silva
Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho
Zita Seabra
...
Assine a petição
aqui. Fui a 13527ª.